A Polícia Civil indiciou o motorista e o proprietário de uma carreta bitrem por 39 homicídios após um grave acidente na BR-116, em Teófilo Otoni, em 21 de dezembro do ano passado. O caso, considerado uma das maiores tragédias rodoviárias do estado, teve causas atribuídas a sobrepeso do veículo, excesso de velocidade, amarração inadequada da carga e uso de substâncias ilícitas pelo condutor.
As investigações concluíram que a carreta transportava 103 toneladas, 73% acima do limite permitido. O motorista que estava sob efeito de álcool, cocaína, ecstasy e antidepressivos estava também em alta velocidade, com 97 km/h, segundo o tacógrafo. Além disso, o proprietário foi acusado de adulterar a nota fiscal da carga para ocultar o peso real.
A carreta bitrem, com carga de grãos, perdeu o controle em uma curva, colidindo com outros veículos e causando uma sequência de choques. A amarração inadequada agravou o descontrole, espalhando a carga e ampliando a devastação. O laudo técnico confirmou que o sobrepeso e a velocidade elevada eliminaram qualquer chance de frenagem eficiente.
O motorista, que foi preso no dia 21 de janeiro, no Espírito Santo, foi indiciado por homicídio doloso, embriaguez ao volante e uso de drogas. Já o proprietário foi responsabilizado por homicídio culposo (sem intenção direta), falsidade ideológica e negligência.
Relembre acidente na BR-116
A batida envolveu um ônibus de viagem, uma carreta e um carro, na madrugada do dia 21 de dezembro do ano passado, no km 285 da BR-116, em Lajinha, distrito de Teófilo Otoni. O acidente aconteceu às 3h30.
O ônibus da empresa Emtram saiu de São Paulo na sexta-feira (20), por volta das 7h, do terminal rodoviário do Tietê, e tinha como destino o estado da Bahia. A polícia investiga as circunstâncias do acidente.
De acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), é a maior tragédia em estradas federais pelo menos desde 2007, início da série histórica disponível para consulta.