O número de mortes provocadas pelas fortes chuvas na Zona da Mata mineira subiu para 72 neste domingo (1º), após o corpo do menino Pietro Cesar Teodoro Freitas, de 9 anos, ser encontrado no sábado (28) em Juiz de Fora. A cidade também registrou uma nova vítima no bairro Linhares, elevando para 65 o total de óbitos no município. Em Ubá, o balanço chega a sete mortos.
Pietro era a última pessoa desaparecida em Juiz de Fora. Ele estava em casa no momento do deslizamento no bairro Paineiras, onde também morreram soterrados a mãe, Jaqueline Teodoro de Fátima Vicente (que chegou a ser resgatada com vida, mas não resistiu), a irmã Sofia, de 6 anos, o padrasto e a avó. Até o cachorro da família foi encontrado entre os escombros.
As buscas pelo menino, que era autista, duraram cinco dias e exigiram a demolição de imóveis já condenados para que os militares pudessem acessar a área de forma segura . O Corpo de Bombeiros trabalhou com a hipótese de que Pietro pudesse ter se assustado com os estalos que antecederam o desabamento e tentado se esconder em algum cômodo, o que explicaria a demora para localizá-lo.
Em Ubá, as equipes seguem à procura de uma pessoa que ainda está desaparecida. A cidade tenta iniciar o processo de reconstrução após uma das maiores tragédias já registradas na região.
De acordo com o coordenador-geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Celutci, a tragédia foi resultado de uma combinação de fatores: uma massa de ar muito úmida, a passagem de uma frente fria e a temperatura do mar acima do normal. Esse cenário aumentou a instabilidade atmosférica e favoreceu chuvas intensas e localizadas. Juiz de Fora foi particularmente afetada por sua topografia complexa e encostas voltadas para o oceano, que recebem diretamente a umidade marítima.








