A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal, e que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, também prendeu um policial federal aposentado em Belo Horizonte. O homem é identificado como Marilson Roseno da Silva.
As investigações apontam que o grupo criminoso mantinha uma estrutura de vigilância e intimidação contra adversários, ex-funcionários e jornalistas.
Em Minas Gerais, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão e duas prisões – seis deles na Região Metropolitana de Belo Horizonte e um no interior. Além de Marilson, o outro detido na capital é Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”.
Segundo a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Roseno da Silva atuava como um dos principais operadores do chamado “núcleo de coerção” da organização. As investigações indicam que ele usava sua experiência e os contatos da carreira policial para obter dados sensíveis e monitorar alvos definidos por Vorcaro.
Marilson integrava o grupo apelidado de “A Turma”, estrutura paralela voltada à obtenção ilegal de informações sigilosas e à intimidação de pessoas consideradas críticas aos negócios do banqueiro. De acordo com a PF, o grupo recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para realizar monitoramentos .
A investigação aponta que Vorcaro comandava pessoalmente as ações do núcleo de intimidação. Em conversas obtidas pela PF, ele teria autorizado a simulação de um assalto para agredir um jornalista – identificado como Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo – com a intenção de “quebrar todos os dentes” e “calar a voz da imprensa”.
Além do núcleo de coerção, as investigações identificaram um esquema de corrupção envolvendo servidores do Banco Central. Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, são suspeitos de atuar como “consultores informais” de Vorcaro, revisando documentos e antecipando informações sobre fiscalizações. Em troca, teriam recebido benefícios como um guia turístico em viagem à Disney.
A defesa de Vorcaro nega todas as acusações e afirma que o empresário “sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.
Além das prisões, a operação determinou o afastamento de cargos públicos e o bloqueio de bens de até R$ 22 bilhões para interromper a movimentação de ativos do grupo investigado.






