Dados do Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) indicam que, em média, uma mulher é vítima de importunação sexual a cada três dias dentro de ônibus em Minas Gerais. Até outubro de 2025, foram registrados 92 casos desse tipo de crime no transporte público estadual. No mesmo período do ano anterior, foram contabilizadas 120 ocorrências.
Levantamento realizado pelos institutos Locomotiva e Patrícia Galvão, por meio da pesquisa “Vivências e demandas das mulheres por segurança no deslocamento”, aponta que 66% das mulheres que sofreram importunação sexual não procuraram a polícia. Apesar de a prática ser tipificada como crime desde 2018, apenas três em cada dez vítimas registraram ocorrência.
Segundo o estudo, 87% das mulheres afirmam sentir medo de sofrer algum tipo de violência ao circular por Belo Horizonte, e 18% relatam já terem sido vítimas de importunação sexual na capital. A maioria dos episódios ocorreu durante o uso do transporte público ou enquanto caminhavam pela cidade.
Em nível nacional, a pesquisa mostra que 71% das mulheres já enfrentaram algum tipo de violência durante deslocamentos, como olhares insistentes, cantadas, importunação ou agressões. Em 45% dos relatos, as situações aconteceram dentro de ônibus.
Outro fator destacado é a falta de confiança na punição dos agressores, especialmente quando não há flagrante. Belo Horizonte lidera o número de registros de importunação sexual em ônibus no estado. Em 2024, foram 47 ocorrências na capital. Já até outubro de 2025, foram contabilizados 35 casos, conforme dados da Sejusp.
Desde 2018, quando a importunação sexual passou a ser considerada crime no Brasil, a Prefeitura de Belo Horizonte implantou o botão de assédio em toda a frota de ônibus municipais. Entre 2018 e novembro de 2025, o dispositivo foi acionado 138 vezes. O maior número de registros ocorreu em 2019, com 31 acionamentos. Em 2025, até novembro, foram registrados 13.
A diferença entre os acionamentos do botão e os dados da Sejusp ocorre porque nem todos os casos envolvem ônibus municipais equipados com o dispositivo, além de situações em que o sistema não é utilizado pelas vítimas ou testemunhas.
Desde dezembro de 2024, a prefeitura passou a disponibilizar uma nova ferramenta no PBH App, que permite a denúncia de importunação sexual diretamente pelo celular, sem a necessidade de comunicar o motorista. O usuário informa o número do ônibus e um telefone para contato, e a denúncia é enviada em tempo real ao Centro de Operações de Belo Horizonte (COP-BH).
Após o alerta, a Guarda Municipal é acionada para interceptar o veículo e encaminhar a vítima e o suspeito à delegacia. Testemunhas também podem utilizar o aplicativo para registrar a denúncia.








