O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, declarou nesta segunda-feira (5) que enfrenta obstáculos relacionados à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), que classificou como uma “promiscuidade estabelecida na Corte”. A afirmação ocorreu durante a primeira reunião de coordenação da campanha após o primeiro turno das eleições, realizada no Hotel San Marco, na Asa Sul, em Brasília. O encontro teve como objetivo definir estratégias para o segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro, e também abordar ações para recuperar o interesse dos eleitores que não compareceram às urnas na votação anterior.
Lula destacou que aproximadamente 30 milhões de brasileiros não votaram na eleição passada, atribuindo esse desinteresse a uma possível perda de conexão com o processo eleitoral. Segundo o presidente, cabe à campanha reverter essa situação, incentivando a participação popular por meio de ações como maior presença na mídia e atividades de rua. Ele afirmou que pretende intensificar a realização de entrevistas em rádio, meio que, de acordo com suas palavras, foi pouco explorado até o momento, além de retomar as passeatas e manifestações presenciais. “Vamos dormir menos, vamos trabalhar mais”, afirmou o candidato, reforçando o compromisso de ampliar o ritmo de campanha.
Além disso, Lula defendeu a realização de debates na televisão contra o adversário Flávio Bolsonaro (PL) nesta fase da disputa. Ele ressaltou que, diferentemente do primeiro turno, quando ambos não participaram dos debates entre candidatos presidenciais — o que foi alvo de críticas por parte de especialistas e do público nas redes sociais —, nesta etapa é fundamental promover encontros diretos. O candidato do PT afirmou que “agora é um tête-à-tête, um contra um”, reforçando a importância de debates televisivos para esclarecer propostas e consolidar a campanha.
Na votação de domingo, Lula obteve 53.876.617 votos, o equivalente a 45,16% dos votos válidos, ficando em segundo lugar na disputa. Flávio Bolsonaro liderou a contagem, com 56.104.268 votos, representando 47,03%, o que resultou em uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Diante do resultado, Lula pediu aos seus apoiadores que analisem os próprios erros e busquem melhorias, ao invés de culpar adversários, ressaltando a necessidade de ações rápidas e eficientes nos próximos vinte dias.
O presidente também abordou temas relacionados à judicialidade e à segurança pública, áreas que, segundo ele, precisam de reformas e melhorias profundas. Lula criticou o STF, alegando que há uma “promiscuidade” na Corte após a Constituição de 1988, e defendeu uma nova reforma do Judiciário. Ele lembrou que, em seu primeiro governo, promoveu uma reforma que, na sua avaliação, não alcançou o resultado esperado devido ao corporativismo que tomou conta dos conselhos do setor. Lula questionou os critérios de escolha dos ministros do Supremo, defendendo que eles deveriam ter mandato e que ninguém está acima da lei, incluindo os integrantes da Corte.
Na área de segurança, o presidente afirmou que o modelo atual fracassou, destacando que o crime organizado “ganhou a parada”. Ele solicitou aos aliados que acelerem a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que visa ampliar o orçamento destinado ao setor, afirmando que os recursos atuais não são suficientes até mesmo para atender às necessidades de estados como Piauí e Bahia. Lula também defendeu a criação de uma força policial nacional com efetivo próprio, em substituição ao modelo de policiais cedidos pelos estados, e reforçou que nenhuma política de segurança será eficaz sem a presença do Estado nas comunidades, por meio de escolas, unidades de saúde e policiamento de bairro.
Encerrando a reunião, Lula resumiu o clima do encontro ao afirmar que a campanha está preparada para vencer a eleição. “Se preparem porque nós vamos ganhar essa eleição”, concluiu, reforçando a determinação de sua equipe para o segundo turno.









