O ex-ministro e candidato derrotado ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), utilizou suas redes sociais nesta terça-feira (6) para contestar o resultado das eleições estaduais, que foi conquistado por Elmano de Freitas (PT). Com uma postura contundente, Ciro afirmou que não cumprimentou o atual governador devido à suposta irregularidade no processo eleitoral, alegando que “não ganhou” e acusando o pleito de ter sido manipulado por uma “organização criminosa” que, segundo ele, teria tomado as eleições no estado. Apesar de não apresentar provas concretas, o ex-ministro reforçou sua denúncia, que ocorre após o resultado oficial, que apontou 53,1% dos votos para Elmano, contra 42,2% de Ciro.
Em sua publicação, Ciro agradeceu os aproximadamente 2,5 milhões de votos recebidos, mas afirmou que essa quantidade não foi suficiente para derrotar o que chamou de “a mais poderosa e desonesta máquina de corrupção, fraude e manipulação judicial da história do Ceará”. Ele declarou ainda que, embora já tenha ganhado e perdido eleições anteriormente, nunca tinha repudiado o resultado das urnas, mas que, nesta ocasião, sente-se “roubado”. O ex-ministro informou que sua equipe jurídica irá à Justiça para formalizar uma reclamação contra o resultado do último domingo (4), embora tenha demonstrado ceticismo quanto à eficácia do sistema judicial brasileiro, descrevendo-o como “apodrecido”.
Ciro Gomes também criticou duramente uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que autorizou a veiculação de propagandas eleitorais de Elmano de Freitas, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no rádio e na televisão na véspera do primeiro turno, realizado em 2 de outubro. Segundo ele, essa decisão teria influenciado o eleitorado cearense, questionando quantos apoiadores do PT teriam sido conquistados por causa da ampla campanha publicitária, que chegou a exibir até três comerciais por intervalo de transmissão.
Ele alertou para uma suposta transformação do Ceará em um “quintal do PT”, afirmando que essa situação estaria comprometendo o futuro do estado. Além disso, Ciro criticou o que chamou de “destruição” da democracia brasileira, atribuindo essa deterioração à atuação do STF, ao citar membros da corte que, na sua visão, contribuíram para o que chamou de “assalto” ao processo eleitoral.
A controvérsia envolvendo a propaganda eleitoral durante o sábado (3), antes do pleito, foi motivada por uma autorização do STF para que Elmano de Freitas pudesse compensar o tempo de campanha não exibido no horário eleitoral gratuito. A medida foi contestada pela campanha de Ciro Gomes, que alegou que as emissoras de televisão e rádio não teriam cumprido o acordo, devido à falta de parâmetros claros estabelecidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE). Dias Toffoli rejeitou a justificativa, determinando que as emissoras deveriam realizar a compensação nas 48 horas anteriores ao voto, sob pena de multa de R$ 100 mil por descumprimento.
Desde sua saída do PDT em outubro de 2025, Ciro Gomes migrou para o PSDB, buscando uma nova estratégia eleitoral e formando alianças com antigos adversários. Sua aproximação com partidos de oposição, como o Partido Liberal (PL), liderado no Ceará pelo deputado federal André Fernandes, gerou até mesmo conflitos internos na família Bolsonaro, envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os enteados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Enquanto isso, a campanha de Elmano de Freitas contou com o apoio de nomes tradicionais da política cearense, incluindo o ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT), que apoiou a reeleição do governador, além de Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede), ambos eleitos ao Senado. A estratégia do atual governador foi marcada por uma forte presença de figuras populares, buscando consolidar sua vitória ainda no primeiro turno, que foi confirmada oficialmente pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará.







