A deputada estadual Beatriz Cerqueira, segunda mais votada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais com 328.402 votos, afirmou nesta quarta-feira (7) que a questão fiscal no estado tem sido utilizada de forma simplista para justificar a ausência de investimentos em setores considerados essenciais. Em uma entrevista exclusiva à Itatiaia, a parlamentar criticou a política de isenções fiscais adotada pelo governo mineiro, defendendo uma revisão dessa estratégia.
Segundo Cerqueira, a situação financeira do estado não pode ser usada como desculpa para renúncias fiscais que totalizam R$ 27 bilhões. Ela questionou quem estaria se beneficiando dessas renúncias, ressaltando que, com essa política, Minas Gerais estaria deixando de arrecadar recursos significativos, incluindo mais de R$ 5 bilhões destinados à educação e R$ 3 bilhões à saúde. A parlamentar argumenta que a narrativa do governo de que há dificuldades fiscais tem sido um expediente para justificar a falta de investimentos em áreas prioritárias, enquanto, na prática, ela estaria priorizando interesses próprios.
A deputada, que é ligada ao Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), destacou a necessidade de o estado valorizar e respeitar a categoria dos profissionais de educação. Ela criticou a gestão do governador Romeu Zema (Novo), alegando que o governo tem desconsiderado a autonomia das escolas e atacado o piso salarial nacional dos professores. Cerqueira reforçou que a autonomia das instituições de ensino deve ser preservada e que o pagamento do piso salarial é uma questão de direito dos trabalhadores da educação.
Além disso, Beatriz Cerqueira defendeu o reajuste dos auxiliares de serviços básicos nas escolas, que, segundo ela, atualmente recebem menos de um salário mínimo. Ela também questionou contratos considerados suspeitos realizados pelo governo estadual para a aquisição de apostilas, que, na avaliação da parlamentar, são consideradas inúteis diante do programa nacional de livro didático, que já fornece materiais escolares às escolas públicas do país.
A parlamentar criticou ainda a contradição de um governo que afirma enfrentar problemas fiscais, mas realiza contratos de grande valor, como um de R$ 348 milhões para a compra de apostilas, que ela classifica como inúteis. Para Cerqueira, essa prática evidencia que a justificativa de dificuldades fiscais tem sido utilizada pelo governo mineiro como uma estratégia para evitar investimentos essenciais, prejudicando áreas como educação e saúde, e favorecendo interesses econômicos privados.







