O deputado estadual Bruno Engler (PL-MG), reeleito com 675.940 votos, apresentou uma proposta para reestruturar a forma de pagamento da dívida do estado de Minas Gerais com a União. Em entrevista concedida à Rádio Itatiaia, Engler sugeriu que o governo mineiro retome mecanismos que permitam a compensação de débitos federais por meio de investimentos em obras de infraestrutura, especialmente na duplicação de rodovias que cruzam o estado, como a BR-381, conhecida como “Rodovia da Morte”.
De acordo com o parlamentar, a relação financeira entre a União e os estados, particularmente Minas Gerais, necessita de uma revisão. Ele criticou o modelo atual, no qual a dívida do governo federal com o estado é tratada como uma relação de “pai para filho”, enquanto a União exige pagamento com juros e correções, como se fosse um banco. Engler argumenta que uma abordagem diferente poderia beneficiar ambos os lados, promovendo melhorias concretas na infraestrutura estadual.
A proposta de Engler consiste na autorização para que o governo de Minas invista diretamente na melhoria e na duplicação da BR-381, com o objetivo de abater o saldo devedor junto à União. Segundo ele, essa estratégia garantiria um retorno “imediato” ao estado, pois ao invés de pagar a dívida em dinheiro, o governo aplicaria recursos na realização de obras que beneficiariam a população local. Ele explica que, ao fazer esse investimento, o valor gasto na duplicação da rodovia seria considerado como parte do pagamento da dívida, promovendo um serviço público de impacto direto na mobilidade e segurança dos usuários.
A duplicação da BR-381 é uma iniciativa de grande relevância para Minas Gerais. O governo federal assinou, em janeiro de 2025, um contrato de concessão para a realização de obras de duplicação e modernização do trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares, abrangendo aproximadamente 300 quilômetros de extensão. A concessão prevê um investimento de cerca de R$ 10 bilhões ao longo de 30 anos, destinados a obras de infraestrutura, manutenção, sinalização e outros serviços relacionados à rodovia, que passa por 21 municípios mineiros.
Engler, que também atua na política municipal, disputou as eleições municipais de Belo Horizonte em 2020 e 2024, chegando ao segundo turno na última eleição, com vantagem sobre o então prefeito Fuad Noman. Apesar de ter sido derrotado por 53,73% dos votos, o parlamentar afirmou que seu nome permanece à disposição do partido, o Partido Liberal (PL), para uma eventual candidatura à prefeitura em 2028. Ele declarou que seu objetivo é oferecer uma alternativa de gestão de direita para a capital mineira, ressaltando que, embora não tenha obsessão por cargos, acredita que seus quase 200 mil votos na última eleição demonstram potencial de apoio na cidade.
A proposta de Engler reforça a necessidade de uma discussão mais ampla sobre as formas de financiamento de obras públicas e o relacionamento financeiro entre o governo federal e os estados, especialmente em um momento de investimentos em infraestrutura que possam gerar benefícios econômicos e sociais de forma mais rápida e eficiente.








