A tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende, reconhecida como a primeira mulher habilitada a pilotar aeronaves de asa fixa do Comando de Aviação da Polícia Militar de Minas Gerais (Comave), faleceu na tarde desta sexta-feira, 9 de outubro, após a queda de uma aeronave no Aeroporto Regional de Ipatinga, localizado em Santana do Paraíso, no Vale do Aço. A piloto, que também era mãe de dois filhos e esposa, integrava a corporação desde 2017, tendo obtido sua graduação como oficial em 2019 e conquistado a habilitação de piloto do Comave em 23 de fevereiro de 2023.
De acordo com informações oficiais da Polícia Militar de Minas Gerais, Emília desempenhava funções essenciais na operação da unidade aérea, incluindo o transporte de órgãos vitais para transplantes, transporte aeromédico, deslocamento de urnas, transporte de tropas especializadas, autoridades, além de atividades de monitoramento ambiental, combate a incêndios, transporte de vacinas e de provas para concursos públicos. Sua atuação contribuía de forma significativa para a eficiência e abrangência das ações do Comave em todo o estado.
Antes de ingressar na aviação policial, a tenente atuou como comandante de setor no 34º Batalhão da Polícia Militar em Belo Horizonte e foi comandante do Tático Móvel no 41º Batalhão por dois anos, acumulando experiência em diversas funções administrativas e operacionais. Sua trajetória na corporação evidencia uma carreira dedicada e marcada por avanços pioneiros, especialmente na aviação militar feminina em Minas Gerais.
Na véspera do acidente, uma homenagem foi feita à tenente Emília por parte do Comave, que publicou uma postagem nas redes sociais destacando sua trajetória e dedicação. Na ocasião, ela aparecia emocionada em um vídeo, após ter retornado às atividades após um período de licença-maternidade. Essa homenagem reforça o reconhecimento pela sua contribuição à segurança pública e à aviação policial.
O acidente ocorreu com uma aeronave modelo Beech Aircraft, conhecido como BE30, um bimotor turbo-hélice fabricado em 1986, de prefixo PP-EJO. Segundo dados do site FlightRadar24, a aeronave decolou da Pampulha às 15h16 e chegou ao Aeroporto de Ipatinga por volta das 15h59. A aeronave tinha capacidade original para nove passageiros além do piloto e era utilizada pela Polícia Militar para diversas missões, incluindo o transporte de órgãos para transplantes. A documentação do modelo estava válida até abril de 2027.
A tragédia resultou na morte da tenente Emília e de mais dois policiais militares. A investigação preliminar indica que o modelo de aeronave envolvido é um de alta confiabilidade, utilizado frequentemente em operações de transporte de órgãos, que desempenha papel fundamental na saúde pública do estado. Em maio deste ano, o jornal O TEMPO revelou que, ao longo de oito anos, o Comave transportou cerca de 2 mil órgãos para transplantes, destacando a importância do trabalho realizado pela equipe aérea da Polícia Militar, que inclui essa mesma aeronave.
O acidente reforça a necessidade de apuração detalhada das causas, uma vez que a aeronave tinha uma manutenção regular e estava dentro do período de validade de sua documentação. A perda da primeira piloto mulher habilitada em aeronaves de asa fixa na história do Comave representa uma tragédia para a corporação e para Minas Gerais, que perde uma profissional pioneira e dedicada ao serviço público.








