A cena musical brasileira perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas neste domingo (18/10), com a morte do cantor, compositor e pianista Benito di Paula, aos 84 anos, em São Paulo. Internado no Hospital 9 de Julho, Benito enfrentava um câncer diagnosticado há aproximadamente um ano, o que contribuiu para sua despedida definitiva dos palcos e do público. Sua trajetória, marcada por uma voz inconfundível e uma forte ligação com o piano, consolidou-se como uma das mais influentes na história do samba e da música popular brasileira, deixando um legado de canções que permanecem vivas na memória afetiva de várias gerações.
Nascido Uday Veloso, no Rio de Janeiro, Benito di Paula encontrou na música o caminho para conquistar o Brasil. Sua ascensão à fama ocorreu especialmente na década de 1970, quando, com seus cabelos longos, bigode marcante e sentado ao piano, tornou-se um fenômeno de popularidade. Sua personalidade musical e artística ajudou a moldar o chamado “samba joia”, um estilo que mesclava romantismo e elementos do samba tradicional, trazendo uma nova roupagem ao gênero. Benito foi responsável por incorporar sua identidade ao ritmo, criando um estilo próprio que se destacou por sua autenticidade e originalidade, o que lhe rendeu uma marca registrada na história da música brasileira.
Durante sua carreira, Benito di Paula produziu um repertório que atravessou décadas, marcado por sucessos que se tornaram clássicos. Entre eles, a canção “Retalhos de Cetim” se destaca como um verdadeiro símbolo de sua trajetória artística. A música, que se tornou um hino para seus fãs, atravessou o tempo sem perder sua força e relevância, permanecendo viva na memória coletiva. Além dela, temas como “Charlie Brown”, “Mulher Brasileira”, “Se Não For Amor” e “Violão Não Se Empresta a Ninguém” também fazem parte de seu legado, sendo reconhecidos por sua capacidade de despertar emoções e lembranças ao primeiro acorde. Benito di Paula não seguia modismos; sua criação musical foi tão singular que ele conseguiu transformar sua personalidade em uma marca inconfundível, consolidando-se como um artista autêntico e respeitado.
Nos últimos anos, as aparições públicas de Benito di Paula tornaram-se mais escassas, refletindo o avançar da idade e os desafios de saúde. Contudo, sua influência permanecia evidente, como demonstrado pelas homenagens recebidas ao longo do tempo. Em 2025, sua história foi celebrada de forma especial, quando a escola de samba Águia de Ouro, de São Paulo, escolheu seu enredo inspirado em “Retalhos de Cetim” para homenagear sua contribuição à cultura brasileira no Carnaval paulista. Essa iniciativa reforça o quanto sua obra permanece presente na cultura popular e na memória dos brasileiros.
Com a sua partida, fica a tristeza de uma perda irreparável para os fãs, colegas de profissão e para o cenário musical brasileiro. Benito di Paula, que se despede aos 84 anos, deixa um legado que vai além de suas canções: uma história de autenticidade, talento e dedicação à música. Sua obra, marcada por sucessos que resistem ao tempo, comprova que algumas músicas, assim como seu criador, simplesmente não envelhecem, permanecendo eternas na história da música brasileira.








