O embaixador de Cuba no Brasil, Víctor Manuel Cairo Palomo, afirmou que a relação entre os dois países deve permanecer estável mesmo em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevista ao portal Metrópoles, Palomo destacou a importância dos vínculos históricos e culturais que unem Cuba e o Brasil, além de agradecer o apoio humanitário recebido do atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele também comentou o processo eleitoral brasileiro, reforçando que a relação bilateral não deve ser influenciada por mudanças políticas internas.
Questionado sobre a possibilidade de uma alteração na postura do governo cubano caso Flávio Bolsonaro venha a assumir a presidência do Brasil, o diplomata enfatizou que a relação entre os dois países é baseada em laços históricos sólidos e não deve ser afetada por questões ideológicas. Segundo Palomo, as relações entre Cuba e o Brasil são fundamentadas em vínculos culturais que permanecem fortes, independentemente do governo no poder. Ele afirmou que a relação bilateral é mais resistente do que qualquer questão específica, ressaltando que a decisão política cabe às autoridades brasileiras e que, até o momento, não há indícios de mudança no relacionamento.
A história diplomática entre Brasil e Cuba já foi marcada por momentos de tensão, especialmente durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro. Durante o mandato de Bolsonaro, o Brasil deixou de manter um embaixador em Havana, sinalizando uma deterioração nas relações diplomáticas, além de ameaçar romper o relacionamento com o país caribenho. Além disso, durante o governo Bolsonaro, o Brasil rompeu com a tradição de votar contra o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba, uma postura que, até então, era comum na política brasileira.
Sobre uma possível retomada dessa postura por parte de Flávio Bolsonaro, o embaixador cubano não entrou em detalhes. No entanto, Palomo agradeceu ao governo Lula pela ajuda humanitária enviada a Havana, reforçando o compromisso do Brasil com Cuba. O governo brasileiro historicamente defende a assistência humanitária à ilha e se posiciona contra o embargo imposto pelos Estados Unidos, rejeitando sanções unilaterais e apoiando ações multilaterais aprovadas pela comunidade internacional, especialmente pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Palomo condenou o embargo econômico, considerando-o um “castigo coletivo” ao povo cubano, e destacou que a crise no país vai além do aspecto econômico, sendo uma verdadeira crise humanitária que afeta toda a população. Segundo ele, Cuba enfrenta dificuldades agravadas por períodos de apagões energéticos e desabastecimento de insumos básicos, mas conta com o apoio de outras nações, incluindo o Brasil. Em agosto, o governo brasileiro enviou uma remessa de 48 toneladas de leite em pó para ajudar a população cubana, uma iniciativa que Palomo considerou de grande importância.
O diplomata também destacou a participação da sociedade civil brasileira nas ações de solidariedade, com brasileiros levando medicamentos, sementes e outros itens ao país durante viagens a Cuba. Ele afirmou que essas doações têm um impacto emocional e simbólico, reforçando a solidariedade internacional. De acordo com informações obtidas pelo Metrópoles junto a membros da diplomacia brasileira, uma nova remessa de ajuda está prevista para novembro, incluindo cargas de arroz e feijão, embora a operação dependa da organização de um transporte marítimo adequado para o deslocamento até Havana.






