O advogado Willer Tomaz, próximo ao senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), ingressou com uma ação judicial solicitando a retirada de vídeos publicados pelo atacante Richarlison que abordam a disputa envolvendo uma mansão localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. A medida visa conter declarações do jogador que, na visão de Tomaz, propagam informações falsas acerca do processo de aquisição e posse do imóvel.
Na petição, Tomaz argumenta que Richarlison tem divulgado dados incorretos e distorcidos, além de apontar que as publicações tiveram impacto político ao mencionarem um candidato à Presidência durante o período eleitoral. O advogado reforça que as alegações do atacante, que afirma ter comprado o imóvel em 2020, não condizem com a realidade do processo legal, e que as informações veiculadas prejudicam sua reputação e a integridade do procedimento judicial.
Richarlison, desafiado pela ação, publicou nesta quarta-feira, 21 de outubro, um novo vídeo no qual afirma possuir provas de que a compra do imóvel, avaliado em aproximadamente R$ 10 milhões, foi realizada de forma legal. Segundo o jogador, os valores incluiriam pagamentos feitos a antigos moradores, com acordos formalizados em cartório, além de recursos destinados a reformas e a medidas de proteção contra invasões. Ele declarou ainda que todas as ações foram feitas dentro da legalidade e que a Justiça do Rio de Janeiro validou a posse do imóvel.
A controvérsia remonta ao fato de Richarlison afirmar que adquiriu a propriedade em 2020, tendo indenizado os antigos ocupantes e realizado melhorias na residência. No entanto, o atacante alega que, posteriormente, perdeu a posse do bem para uma empresa vinculada ao advogado Willer Tomaz. Em vídeos publicados nas redes sociais, Richarlison acusou o advogado de ter se apropriado do imóvel de forma irregular, além de alegar que o processo de regularização do imóvel ficou paralisado no governo federal. Nesse período, ele afirma, Tomaz reativou uma empresa inativa desde 2018, com sócios já falecidos, para obter a posse da propriedade, além de acusá-lo de ter enganado uma viúva de 78 anos envolvida na disputa.
Richarlison também sustenta que o governo transferiu o patrimônio para a empresa ligada a Tomaz, e que sua intenção é recuperar a posse do imóvel. O atacante reforça que a disputa judicial ainda está em andamento e que suas alegações visam esclarecer os fatos, enquanto o advogado de Tomaz rebate as acusações e reforça que o processo tramita na Justiça há anos, tendo sido decidida em várias instâncias, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ), com decisões definitivas contra Richarlison.
A defesa de Willer Tomaz afirmou, em nota oficial, que a ação judicial não busca cercear a liberdade de expressão do jogador, mas responsabilizá-lo por declarações consideradas falsas. Segundo o advogado, Richarlison teria realizado pagamentos a ocupantes do imóvel, e não à proprietária legal, além de destacar que a empresa Sport 70, ligada ao atacante, perdeu a disputa judicial em todas as instâncias, incluindo o STJ. A nota reforça que o processo está em tramitação no Judiciário e que o atleta responde às acusações mesmo após ter sido notificado oficialmente.
Sobre a relação com Flávio Bolsonaro, a defesa esclarece que o senador nunca integrou o processo de forma direta, tendo seu nome surgido apenas como testemunha indicada pelo ex-deputado Alencar da Silveira Júnior, que seria sócio de Richarlison. A controvérsia, portanto, envolve aspectos jurídicos e políticos relacionados à disputa pela propriedade, que ainda está em andamento na esfera judicial.







