A nova versão do filme “Street Fighter”, dirigida por Kitao Sakurai, tenta reviver a vibração colorida e vibrante que marcou a franquia nos anos 1990, mas acaba deixando a desejar pelo foco excessivo em referências visuais e pela ausência de uma trama coesa. Desde seu auge na década de 1990, quando era possível gastar uma fortuna em fichas de fliperama para transformar as máquinas em ringues digitais improvisados, a franquia conquistou uma legião de fãs. No entanto, a adaptação para o cinema, embora se esforce em reproduzir a estética e o espírito do jogo, mostra-se insuficiente ao não conseguir transformar essa energia em uma narrativa convincente.
A primeira tentativa de levar “Street Fighter” às telonas, em 1994, contou com Van Damme no papel de Guile e tentou criar uma história envolvendo uma guerra civil fictícia, mas acabou não conseguindo incorporar elementos do universo original de forma satisfatória. A nova produção, por sua vez, apresenta personagens bem caracterizados visualmente, mas falha na construção de uma trama que justifique sua existência além do mero apelo visual.
O núcleo central do filme é a amizade entre os lutadores Ken (Noah Centineo) e Ryu (Andrew Koji), apresentados como irmãos separados por uma tragédia envolvendo seu mestre ao final do primeiro campeonato mundial de lutadores. Essa sequência inicial, que é animada de forma primorosa, destaca-se como um dos pontos altos do filme, oferecendo um vislumbre do potencial que a produção poderia ter tido. Ken, agora uma celebridade vazia, e Ryu, um recluso que teme seu próprio lado sombrio, se reencontram quando M. Bison (David Dastmalchian), com intenções obscuras, promove um segundo campeonato mundial de lutadores. Nesse contexto, Chun-Li (Callina Liang) atua como uma agente do governo que persegue seus próprios objetivos, enquanto o vilão principal, Akuma (Roman Reigns), aparece de forma quase aleatória, sem uma motivação clara na narrativa.
O filme ainda tenta inserir diversos outros personagens do universo de “Street Fighter”, como Blanka (interpretado por Jason Momoa, que parece se divertir com o papel), Guile (Cody Rhodes), Balrog (50 Cent), Vega (Orville Peck), Dhalsim (Vidyut Jammwal), Honda (Hirooki Goto) e Zangief (Olivier Richters). No entanto, a quantidade excessiva de figuras impede que qualquer uma delas receba o tempo de tela necessário para desenvolver uma história satisfatória, resultando em uma narrativa fragmentada e superficial.
A ambientação em 1993 serve de justificativa para alguns excessos visuais, mas o esforço de incorporar referências ao universo do jogo demonstra que um bom cosplay não necessariamente se traduz em um bom filme. A tentativa de fazer uma adaptação que agrade aos fãs mais fervorosos acaba se tornando um exercício de excesso de informações e referências dispersas, que não se conectam de forma coesa.
Ao final, “Street Fighter” se revela uma produção excessivamente barulhenta, com uma quantidade de personagens e elementos que prejudicam sua coesão narrativa. A impressão geral é de um filme que, apesar de tentar capturar a essência visual do jogo, falha ao não criar uma história envolvente ou convincente. Para o público mais dedicado, há alguns Easter eggs que podem gerar momentos de nostalgia, mas a experiência, no conjunto, é decepcionante. Assim como ocorreu com “Mestres do Universo”, uma produção que também apostou na nostalgia sem uma narrativa sólida, o novo “Street Fighter” demonstra que referências visuais e personagens conhecidos não garantem sucesso cinematográfico, especialmente quando a história não consegue sustentar o apelo visual.









