O navegador e explorador Amyr Klink foi o centro de uma entrevista que revelou aspectos inéditos de sua vida, suas expedições e a produção do filme inspirado na sua travessia de 100 dias de remo entre Lüderitz, na Namíbia, e o Brasil. A conversa, conduzida pela repórter Daniella Magalhães, do portal LeoDias, ocorreu em um hotel de Copacabana, com o autor apresentando uma visão aprofundada sobre suas experiências, sua relação com o mar e o impacto de suas jornadas na cultura brasileira de exploração marítima.
Amyr Klink, conhecido por suas aventuras de risco, destacou que mergulhar na solidão do oceano é uma tarefa difícil e que poucos conseguem aproveitar de forma plena, seja na condição figurada de enfrentar tempestades e dias ensolarados com pessoas ao redor ou na literalidade de estar no meio do Atlântico em uma canoa. Para ele, essas experiências representam uma viagem sem retorno, embora o mapa possa indicar pontos repetidos. Durante a entrevista, o navegador explicou que o filme “100 Dias”, dirigido por Carlos Saldanha, é uma adaptação do seu livro “Cem Dias Entre Céu e Mar”, e que a produção levou anos para se concretizar devido a dificuldades na negociação dos direitos e mudanças de roteiristas, além de obstáculos financeiros. Apesar de ainda não ter assistido ao filme na íntegra, Klink afirmou que a obra é fiel ao livro e que superou as expectativas, destacando o rigor da equipe de pesquisa envolvida na produção.
O explorador também recordou sua admiração pelos expedicionários noruegueses Thor Heyerdahl, Bengt Danielsson e Knut Haugland, participantes da famosa expedição Kon-Tiki, que cruzou o Pacífico em uma jangada de troncos de balsa em 101 dias, uma história que, segundo ele, também foi retratada em um livro e um filme considerados superiores às obras originais. Essas aventuras marcaram sua trajetória e reforçam sua postura de desbravador dos mares.
Klink afirmou que, após realizar expedições de alto risco, como a circum-navegação da Antártida em 1998, não pretende repetir esses feitos, embora reconheça a complexidade técnica dessas viagens. Ele destacou que sua experiência na Antártida foi única, pois tudo ocorreu sem incidentes, diferentemente da recente travessia de Raphael Garcia, que percorreu o mesmo trajeto em 136 dias a remo, e enfrentou dificuldades como a presença de tubarões e o crescimento de cracas no casco do barco, fenômeno que, segundo ele, tem sido intensificado pelas mudanças climáticas e pelo aumento da temperatura dos oceanos.
Klink também abordou sua relação com o mar, ressaltando a importância da cultura brasileira de construir e explorar embarcações com recursos locais. Ele destacou que as soluções criativas e o conhecimento tradicional do Brasil resultam em barcos eficientes, capazes de realizar tarefas que, segundo ele, impressionariam engenheiros navais de países mais desenvolvidos. Como exemplo, citou jangadas do Ceará e da Paraíba, que utilizam conceitos aerodinâmicos e mastros inovadores, adaptados para embarcações de pequeno porte, mas que demonstram a genialidade da cultura marítima brasileira.
Apesar de ser considerado polêmico por alguns especialistas internacionais, Amyr Klink defende sua abordagem de unir tecnologia de ponta com soluções tradicionais brasileiras, o que torna seus projetos únicos. Sua experiência de navegação e suas expedições, muitas vezes solitárias, moldaram sua visão de vida, que ele resume com humor ao dizer que, na sua casa, às vezes, estar sozinho é um alívio diante do caos familiar.
O legado de Klink também se manifesta na formação de sua filha Tamara, que seguiu seus passos e realizou uma expedição no Polo Norte. Orgulhoso, ele ressalta que o que realmente se herda é a história e a capacidade de fazer, não os recursos materiais. Sobre o futuro, o navegador afirma que, mesmo com os riscos, a aventura de desbravar o mar e a vida é uma experiência que constrói histórias e inspira novas gerações.
A estreia do filme “100 Dias” está marcada para o dia 29 de outubro nos cinemas nacionais. A produção, que conta com a participação de Filipe Bragança no papel de Amyr Klink e de Philippine Leroy-Beaulieu como sua mãe, Asa Frieberg Klink, promete retratar de forma fiel e emocionante a jornada do navegador, que é considerado uma referência mundial na exploração marítima. A entrevista completa com os atores e o próprio Klink será publicada em breve no portal LeoDias, com o apoio da Buena Vista International, divisão da Disney.






