A chuva de meteoros Oriônidas, fenômeno que atingiu seu pico na madrugada da última quinta-feira (22), foi um espetáculo visual causado por partículas de poeira deixadas pelo cometa Halley. Para aqueles que perderam a oportunidade de testemunhar o evento, especialistas indicam que ainda há chances de observar meteoros rasgando o céu até o início de novembro, embora com menor intensidade. Segundo Mirian Castejon, astrofísica formada pela Universidade de São Paulo (USP) e supervisora de astronomia do Planetário Ibirapuera, o pico de uma chuva de meteoros ocorre quando a Terra atravessa uma região de maior concentração de fragmentos, criando a impressão de que os meteoros emanam de um ponto fixo no céu.
Entendendo o fenômeno das Oriônidas e sua relação com o cometa Halley
A chuva de meteoros Oriônidas recebe esse nome por sua aparente origem na direção da constelação de Órion, que abriga as famosas Três Marias. Para observadores na Terra, os meteoros parecem vir de um ponto comum no céu, mas, na realidade, os fragmentos que provocam esse fenômeno estão dispersos pelo Sistema Solar. Mirian explica que, apesar da percepção visual, a constelação de Órion é apenas um plano de fundo distante, enquanto os fragmentos de poeira e rochas estão muito mais próximos, orbitando o Sol.
A origem dos meteoros está relacionada ao cometa Halley, que passa pelo Sistema Solar a cada 76 anos, deixando um rastro de detritos ao longo de sua trajetória. Esses fragmentos, compostos por matéria orgânica e silicatos, se desprendem do cometa durante sua passagem próxima ao Sol, através de um processo conhecido como sublimação, no qual o calor transforma a matéria sólida em gás, liberando pedaços de rocha. Quando esses fragmentos entram na atmosfera terrestre a velocidades superiores a 60 quilômetros por segundo, eles se incendeiam, formando os meteoros visíveis no céu. Caso algum fragmento sobreviva à passagem pela atmosfera e alcance o solo, é classificado como meteorito.
Período de observação e variações na visibilidade
Embora o pico da Oriônidas tenha ocorrido na madrugada de quinta-feira, ela permanece visível até o início de novembro, possibilitando que observadores tenham novas oportunidades de acompanhar o fenômeno. Os meteoros não caem todos de uma vez, o que explica a possibilidade de observação ao longo de várias semanas. Além da Oriônidas, outros eventos similares são causados por fragmentos de diferentes cometas, como as Aquáridas, que ocorrem em maio e parecem originar-se na constelação de Aquário.
Para o ano de 2026, o céu brasileiro deverá receber quatro eventos de destaque semelhantes às Oriônidas. A partir de novembro, ocorrerão as Tauríadas, com pico previsto para o dia 9; as Leônidas, entre os dias 17 e 18 de novembro; as Geminídeas, na noite de 13 para 14 de dezembro; e as Ursídeas, mais visíveis nos dias 22 e 23 de dezembro, com origem nas constelações de Ursa Maior e Ursa Menor.
Orientações para observação de meteoros e melhores condições
Para quem deseja observar esses fenômenos, a localização é fundamental. Áreas afastadas de grandes centros urbanos, onde a poluição luminosa é mínima, oferecem as melhores condições para a visualização de meteoros, eclipses e outros eventos astronômicos. Segundo Mirian Castejon, o ideal é procurar locais com céu escuro, preferencialmente com fase lunar nova, quando a luz da Lua está reduzida ao mínimo, pois a presença do satélite, especialmente em sua fase cheia, pode dificultar a observação dos meteoros mais tênues.
O período mais propício para a observação é durante as madrugadas, após as 1h30, até o nascer do sol. Nesse intervalo, a incidência de meteoros pode chegar a até 20 por hora, embora esse número varie de acordo com o evento e as condições atmosféricas. Contrariando a ideia comum, não é necessário o uso de telescópios, que podem até dificultar a visualização, já que a chuva de meteoros ocorre em diversas regiões da atmosfera. O método mais eficaz é deitar-se ao ar livre, olhar na direção da constelação de Órion e evitar luzes artificiais.
Para auxiliar na localização, tecnologias como aplicativos de astronomia, por exemplo o Sky Tonight, podem ajudar a identificar a posição das estrelas e orientar o observador. Para quem reside em São Paulo e não consegue acompanhar os fenômenos ao vivo, o Planetário Ibirapuera oferece sessões de simulação, onde é possível assistir a uma reprodução dos meteoros, proporcionando uma experiência semelhante à observação direta, embora não seja possível reproduzir exatamente a origem de um ponto específico no céu.
Assim, mesmo após o pico das Oriônidas, ainda há possibilidades de apreciar esse espetáculo celeste, que é resultado da interação entre a órbita terrestre e os detritos deixados pelo cometa Halley, fenômeno que continuará a se repetir ao longo do tempo, com destaque para o ano de 2026, quando ocorrerão outros eventos similares de grande magnitude no céu brasileiro.









