O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de ampliar até as 19h o prazo de votação em todo o Brasil deveria ser analisada com “muita estranheza”. A declaração foi dada durante uma entrevista coletiva no QG eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL), neste domingo (25), durante o segundo turno das eleições.
Segundo Nunes, decisões relacionadas ao processo eleitoral deveriam ser tomadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para o prefeito, a atuação do Supremo nesse episódio representa um fator de preocupação e exige atenção para a preservação das regras democráticas e da segurança jurídica durante as eleições.
“É uma decisão, como eu disse aqui, que a gente tem que vê-la como estranha, com muita estranheza. A gente precisa consolidar a nossa democracia e a consolidação da democracia passa pelo risco do processo judicial. E o risco do processo judicial era que as decisões deveriam ser tomadas pelo Tribunal Superior Eleitoral”, declarou.
Nunes também mencionou o fato de a petição que levou à decisão ter sido direcionada diretamente ao ministro Cristiano Zanin. O prefeito afirmou que essa circunstância contribuiu para a sua avaliação de que a medida foi incomum.
“Quando você faz uma petição direcionada ao Ministro Zanin, isso já causa uma estranheza, até porque, obviamente, ele foi advogado do PT, advogado do presidente Lula e obviamente gera uma estranheza”, disse. Ao concluir, Nunes classificou o episódio como “algo absolutamente incomum” e afirmou que a situação o deixou bastante preocupado.
Decisão vale para urnas ainda abertas
Após a repercussão da medida, Cristiano Zanin esclareceu que a ampliação do horário não significava a reabertura geral da votação nem a extensão automática do prazo para todas as seções eleitorais. Conforme o esclarecimento do ministro, a decisão valia apenas para as urnas que ainda não haviam sido fechadas.
A explicação ocorreu porque a decisão que prorrogou o horário do pleito foi proferida depois das 17h, limite inicialmente estabelecido para o encerramento da votação no segundo turno. Mesmo com o término do horário regular, algumas seções eleitorais poderiam permanecer abertas caso ainda houvesse eleitores aguardando na fila.
A extensão até as 19h foi tomada após denúncias apresentadas pelas campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As duas campanhas relataram a existência de problemas que poderiam prejudicar o deslocamento ou o atendimento de eleitores durante a votação.
O episódio gerou críticas e questionamentos políticos, entre eles os apresentados por Ricardo Nunes. O prefeito relacionou a decisão à necessidade de preservar a competência da Justiça Eleitoral e afirmou que a consolidação da democracia depende, em sua avaliação, de procedimentos judiciais claros e de decisões tomadas pelas instituições responsáveis pelo processo eleitoral.








