A Polícia Federal investiga possíveis crimes relacionados ao transporte público durante o segundo turno das eleições, realizado neste domingo (25), em cinco estados: Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe e Alagoas. Até o momento, apenas em Sergipe foi instaurado um inquérito. As apurações buscam esclarecer se houve falhas ou medidas deliberadas que tenham prejudicado o deslocamento dos eleitores até os locais de votação.
As informações foram apresentadas durante uma coletiva de imprensa realizada no domingo. Segundo Denis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF, os agentes realizam diligências e tomam depoimentos de pessoas diretamente envolvidas no fornecimento e na operação do transporte público.
A investigação é conduzida em articulação com os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), o Ministério Público Eleitoral e as polícias estaduais. A atuação conjunta tem como objetivo reunir informações sobre as condições de circulação dos veículos, as decisões tomadas pelas autoridades responsáveis e eventuais determinações judiciais relacionadas à oferta do serviço.
De acordo com Denis Cali, em alguns dos estados investigados os tribunais regionais determinaram que o transporte público fosse garantido durante o segundo turno, inclusive com a definição de percentuais mínimos de circulação. O diretor afirmou que essas decisões e seus respectivos cumprimentos ainda estão sendo analisados pela Polícia Federal.
“Em alguns desses estados nós tivemos decisão dos Tribunais Regionais obrigando a que o transporte público fosse garantido, inclusive com alguns percentuais, e tudo isso tá sendo ainda apurado”, declarou o diretor durante a coletiva.
As autoridades pretendem identificar as circunstâncias de cada ocorrência e verificar se houve responsáveis por reduzir ou interromper a mobilidade dos eleitores. Relatos de passageiros apontaram filas, demora e diminuição na circulação de ônibus ao longo do domingo, período em que os eleitores participavam da votação para o segundo turno das eleições presidenciais.
Partidos acionaram a Justiça Eleitoral
As denúncias relacionadas ao transporte levaram partidos a recorrer à Justiça Eleitoral em São Paulo e na Bahia. Em Sergipe, o Tribunal Regional Eleitoral determinou a recomposição da frota intermunicipal, em uma medida voltada a ampliar a oferta de transporte para os eleitores.
Na cidade de São Paulo, a Justiça determinou a circulação de 100% da frota de ônibus. A decisão foi tomada após um pedido apresentado por parlamentares do PSOL. Na Bahia, o presidente do TRE determinou a recomposição imediata da frota de Salvador e também a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a prorrogação da votação até as 19h em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. O pedido ocorreu em meio às queixas sobre a circulação reduzida de ônibus e às dificuldades relatadas por passageiros nessas localidades.
PRF registrou 27 interdições em rodovias
Durante a mesma coletiva, o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Fernando Oliveira, informou que a corporação registrou 27 interdições em rodovias ao longo do dia. Desse total, oito foram classificadas como interdições totais e 19 como parciais.
Quatro interdições ainda permaneciam em vigor durante a coletiva em razão do excesso de chuva. Segundo a PRF, entretanto, havia rotas alternativas disponíveis para os motoristas. A corporação informou que sinalizou esses caminhos e prestou apoio para permitir a continuidade dos deslocamentos.
Fernando Oliveira afirmou não ter informações sobre pessoas que deixaram de votar por causa das interdições nas rodovias. Ainda assim, a PRF comunicou que permaneceria mobilizada mesmo após o encerramento da votação, acompanhando as condições das estradas e auxiliando o trânsito nas áreas afetadas.








