O Dia de Finados foi marcado por oração, homenagens e momentos de descontração no Cemitério do Bonfim, na região Noroeste de Belo Horizonte. Na manhã desta segunda-feira (2/11), fiéis participaram de uma missa em memória das pessoas que morreram. A celebração foi conduzida pelo padre Felipe Lemos de Queiroz e combinou reflexão sobre a morte, a fé e a esperança na vida eterna com momentos de leveza. Ao final, balões com nomes, intenções e frases dedicadas aos falecidos foram soltos.
Durante a homilia, o sacerdote, que é reitor do Santuário Nossa Senhora da Conceição dos Pobres, na Lagoinha, afirmou que a data não deve ser vivida apenas sob o sentimento de tristeza. Segundo ele, o Dia dos Fiéis Defuntos também representa uma oportunidade para expressar saudade, gratidão e oração, além de refletir sobre a própria finitude e a esperança no reencontro com Deus.
“Hoje a Igreja celebra o Dia dos Fiéis Defuntos. É um dia de oração, de lembranças, de saudade, de lembrar também da nossa finitude, que nós não somos eternos, estamos aqui de passagem, rumo à casa do Pai, que é uma casa eterna. É um dia de homenagens, mas, sobretudo, de oração e de lembrar da ressurreição. Porque, assim como Jesus ressuscitou, todos nós ressuscitaremos”, afirmou o padre.
Em alguns momentos da missa, Felipe Lemos de Queiroz fez brincadeiras para descontrair os participantes. A condução mais leve não deixou de lado o caráter religioso da celebração e reforçou a mensagem de que, para a fé católica, a morte é compreendida como uma passagem. O padre convidou os fiéis a repetirem a frase “Saudade sim, tristeza não”, que resumiu o sentido da cerimônia.
A proposta foi destacar que a lembrança de quem morreu pode ser acompanhada pela gratidão pelos momentos compartilhados e pela confiança na ressurreição. O sacerdote também ressaltou a importância de visitar os túmulos e rezar pelos falecidos, uma tradição mantida pela Igreja Católica.
“Esse gesto bonito das pessoas virem ao cemitério, irem aos túmulos rezar, participarem da missa, oferecendo o sacrifício da missa pelo perdão dos pecados dos falecidos, é um gesto muito antigo, que vem desde o Antigo Testamento. A Igreja conserva esse gesto de rezar por aqueles que já partiram ao encontro do Pai”, explicou.
Entre os participantes estava a farmacêutica Luciana de Fátima Sena, de 47 anos, acompanhada da filha Helena, de 7. Ela contou que tem familiares sepultados no Cemitério do Bonfim, incluindo avós e um tio. Para Luciana, participar da missa é uma forma de homenagear essas pessoas e também de cuidar da própria espiritualidade.
“Eu vim à missa porque acho importante cuidar do lado espiritual. Aqui nós não somos nada, só carne mesmo. Também vim prestar uma homenagem, porque sei que eles já estão na glória do Senhor. Eles estão vendo, com certeza podem interceder por nós”, disse.
Luciana também afirmou que procura ensinar à filha uma compreensão da morte baseada na fé. Na avaliação dela, abordar o tema desde a infância pode ajudar as crianças e as famílias a enfrentar o luto com menos desespero e mais esperança.
“Eu acho que hoje as famílias estão sem Deus e, na hora da morte, na hora da passagem, a pessoa entra em desespero, porque não tem em quem se agarrar, não tem a mão de Deus presente na vida dela. Então, acho que, se a gente ensinar desde pequenininho que a morte não é triste, que é um encontro com Jesus, que, na verdade, é um dia de festa, não de tristeza, fica mais fácil. A gente vai sentir saudade, mas logo vai estar junto de novo”, afirmou.
A farmacêutica reconheceu que a ausência dos familiares continua sendo dolorosa, mas disse que a crença em um reencontro fortalece a maneira como lida com a perda. “Com o tempo, através do sofrimento e da religião, eu cheguei a essa maturidade. Hoje a gente sofre, porque dói, mas a certeza de que vamos encontrar e de que nosso ente querido está com Jesus é muito mais forte”, declarou.
A administradora Juliany Sales de Magalhães Pinto Lopes, de 54 anos, também esteve no cemitério para homenagear os pais. O pai dela morreu há 20 anos, e a mãe, há oito. Mesmo com o passar do tempo, ela afirmou que a saudade continua presente e que a lembrança dos dois permanece associada ao carinho e ao amor.
“É uma homenagem. A gente não pode esquecer as pessoas queridas que já foram. Vim aqui fazer uma oração, porque isso é muito importante. Meu pai faleceu há 20 anos, mas parece que foi ontem. Minha mãe, há oito. O sentimento é o mesmo, é doído. É uma coisa que, pode até passar 50 anos, a gente ainda vai lembrar deles com todo carinho e amor”, contou Juliany.









