O astronauta da NASA Chris Williams fotografou um objeto luminoso se desintegrando na atmosfera terrestre enquanto estava a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), sobrevoando a África Ocidental. O registro foi feito em 27 de abril e mostrou o fenômeno evoluindo de um ponto brilhante para uma estrutura com cauda alongada, que depois se dividiu em vários fragmentos. A origem do objeto não foi confirmada, mas a hipótese considerada mais provável é a reentrada de partes de um foguete.
Williams observou a ocorrência por acaso, enquanto tentava encontrar, em meio à escuridão do espaço, a espaçonave russa Progress 95. O veículo transportava novos suprimentos para a ISS e realizou o acoplamento à estação no mesmo dia, conforme o planejamento. Durante a busca, o astronauta identificou o clarão e acompanhou sua transformação.
“Vi sua cauda crescer e depois se dividir em uma chuva de pedaços menores. Foi um verdadeiro espetáculo de luzes!”, escreveu Williams em uma publicação no X, antigo Twitter.
Imagens mostram a fragmentação do objeto
As fotografias feitas pelo astronauta registraram diferentes etapas do fenômeno, em intervalos estimados de 30 a 40 segundos. No primeiro momento, o objeto aparece como um ponto luminoso isolado. Em seguida, surge uma cauda mais extensa e, por fim, o corpo se fragmenta em diversas partes, formando um rastro de coloração alaranjada.
Em comunicado publicado em maio, a NASA informou que o clarão não havia sido causado pela Progress 95. A nave russa conseguiu chegar à estação espacial como previsto, o que afastou a possibilidade de que o próprio veículo de abastecimento tivesse sido responsável pela ocorrência registrada nas imagens.
Entre as hipóteses analisadas estavam a reentrada de um estágio de foguete, de um satélite ou de outros detritos espaciais. A NASA também manteve a possibilidade de o fenômeno ter sido provocado por um meteoro, já que a aparência observada pode ser semelhante à de fragmentos naturais entrando na atmosfera.
Reentrada de partes do foguete Soyuz é apontada como hipótese provável
O portal especializado Space.com avaliou que Williams provavelmente testemunhou a reentrada de componentes do foguete Soyuz usado para colocar a Progress 95 em órbita. Depois de impulsionar a nave de abastecimento para o espaço, partes do lançador podem ter perdido altitude e retornado à atmosfera terrestre.
Durante a reentrada, esses componentes passam por regiões cada vez mais densas da atmosfera. A resistência do ar, chamada de arrasto atmosférico, aumenta progressivamente e provoca aquecimento intenso. A compressão do ar ao redor do objeto também contribui para elevar a temperatura, fazendo com que os materiais se rompam, derretam e se vaporizem. O resultado pode ser um rastro luminoso semelhante ao observado nas fotografias.
Apesar da hipótese relacionada ao foguete Soyuz, não há uma identificação definitiva do objeto. O Futura destacou que é difícil diferenciar, apenas a partir das imagens, um meteoro de um equipamento artificial em processo de reentrada. A ausência de informações precisas sobre a direção para a qual a câmera estava apontada também impede uma conclusão segura sobre a origem do fenômeno.
Detritos espaciais produzem clarões durante a entrada na atmosfera
O episódio também chama atenção para o aumento da quantidade de objetos e fragmentos que permanecem na órbita terrestre. Estima-se que dezenas de toneladas de material entrem diariamente na atmosfera. Esse material inclui meteoros, fragmentos de rochas e lixo metálico produzido por equipamentos e lançamentos espaciais. Ao se desintegrarem, esses objetos podem gerar clarões conhecidos como bolas de fogo.
De acordo com o site Live Science, a desintegração de objetos artificiais costuma ocorrer a aproximadamente 80 quilômetros de altitude. Na maioria dos casos, os fragmentos são consumidos antes de alcançar a superfície. No entanto, essa destruição não é garantida. Em março de 2024, restos de um conjunto de baterias descartado da ISS caíram sobre uma residência nos Estados Unidos.
Além do risco de queda de fragmentos, a reentrada de espaçonaves pode produzir impactos ambientais. Pesquisadores identificaram um aumento na concentração de metais na atmosfera superior, associado à vaporização de objetos artificiais. Os possíveis efeitos desse material sobre a camada de ozônio e o campo magnético terrestre ainda estão sendo investigados.









