Institutos de pesquisa, entre eles a Quaest, preparam levantamentos para avaliar como a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil repercutiu entre os eleitores. Ao mesmo tempo, marqueteiros de campanhas, partidos políticos e entidades ligadas ao mercado realizam sondagens internas para identificar o comportamento do eleitorado no período posterior à eleição e medir as reações aos acontecimentos que se seguiram ao pleito.
As primeiras consultas qualitativas conduzidas internamente por grupos ligados a campanhas, nos dias seguintes à eleição, indicam que ainda prevalece, inclusive entre eleitores bolsonaristas, a disposição de aceitar o resultado e seguir em frente. Segundo fontes ouvidas sob reserva, essa postura, no entanto, convive com a preocupação em relação ao novo governo e com dúvidas sobre os próximos acontecimentos políticos.
Os levantamentos também apontam diferenças na forma como os grupos de eleitores avaliam a derrota. De acordo com marqueteiros, as suspeitas de fraude aparecem principalmente entre os segmentos mais radicalizados do bolsonarismo. Essas desconfianças estão associadas, sobretudo, à prorrogação do horário de votação e às circunstâncias relacionadas ao encerramento do pleito.
Fontes consultadas pelo blog afirmam que parte dos eleitores desconhece que o pedido de prorrogação da votação foi feito pela própria campanha de Flávio Bolsonaro. A falta de informação sobre esse episódio, somada ao número reduzido de votos registrados depois das 17h, contribui, segundo essas fontes, para alimentar questionamentos sobre a legitimidade do resultado. Os relatos, contudo, são apresentados como conclusões de sondagens internas e não como resultado de pesquisas públicas já divulgadas.
Outro ponto identificado nos chamados trackings — acompanhamentos frequentes da opinião dos eleitores — é a resistência à autoproclamação de Flávio Bolsonaro como vencedor da eleição. Conforme as fontes ouvidas, essa afirmação não encontra apoio em uma parcela expressiva do eleitorado, que demonstra dificuldade em reconhecer essa interpretação dos resultados.
As sondagens também registram reações ao recebimento de salário sem o exercício no Brasil. O tema atravessa os diferentes grupos pesquisados, segundo os relatos, e provoca manifestações favoráveis até mesmo à perda do mandato. A questão aparece, portanto, como um dos assuntos capazes de alcançar eleitores de posições distintas, sem se restringir a um segmento específico do eleitorado.
A saída do país também é avaliada de maneira dividida pelos entrevistados. Parte deles interpreta a determinação de entrega do passaporte como uma forma de perseguição judicial. Ao mesmo tempo, esse mesmo grupo não descarta completamente a possibilidade de que o senador tenha motivos para temer fatos que estão sob investigação.
Os levantamentos que estão sendo preparados por institutos como a Quaest devem buscar dimensionar de forma mais ampla essas percepções. Até que os resultados sejam divulgados, partidos, equipes de campanha, marqueteiros e representantes do mercado continuam recorrendo a pesquisas internas para acompanhar a evolução do humor do eleitorado e entender como a saída de Flávio Bolsonaro, a derrota eleitoral, as suspeitas de fraude e as investigações influenciam a avaliação política no pós-eleição.









