O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira (4) o novo patamar da taxa básica de juros, a Selic. Na primeira reunião do colegiado após as eleições, a expectativa predominante entre economistas é de uma pausa no ciclo de cortes e de manutenção da taxa em 13,75%, em meio às incertezas sobre a situação fiscal, à pressão dos juros no exterior e às mudanças no cenário político após a eleição presidencial.
Especialistas ouvidos pelo R7 avaliam que o Banco Central deve interromper temporariamente as reduções. Mesmo com a previsão de estabilidade nesta reunião, o mercado ainda trabalha com a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual até o fim do ano. A decisão do Copom será acompanhada de perto por investidores, empresas e consumidores, já que a Selic influencia o custo do crédito e as condições de financiamento na economia.
Até agora, o comitê realizou cinco cortes consecutivos na taxa básica. O movimento reduziu a Selic de 15%, maior nível desde 2006, para os atuais 13,75%. A interrupção do ciclo representaria uma mudança na trajetória recente, diante da avaliação de que novos riscos podem dificultar a convergência da inflação para a meta.
O resultado das eleições passou a fazer parte das análises do mercado e afetou as projeções para os juros, a inflação e o dólar. No boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta semana, as estimativas para a Selic e para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, voltaram a subir.
A previsão para a taxa básica no fim do ano passou de 13,25% para 13,5%. Para o IPCA, a projeção avançou de 5,19% para 5,22%. Quatro semanas antes, a expectativa dos analistas era de uma alta de 5,01% no indicador. A revisão das estimativas reforça a cautela do mercado em relação ao comportamento dos preços e à condução da política econômica.
No ambiente internacional, a elevação do preço do petróleo também é apontada como fator de preocupação. Os possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño completam o conjunto de riscos monitorados pelos investidores, especialmente por seu potencial impacto sobre preços e custos. No cenário doméstico, a eventual aprovação de propostas como o fim da escala 6×1 pode elevar as despesas do setor de serviços e aumentar a pressão sobre a inflação.
Apesar da expectativa majoritária pela manutenção da Selic, há economistas que defendem a continuidade dos cortes. O argumento é que uma redução dos juros poderia aliviar o custo da dívida pública e diminuir a pressão sobre as contas do governo. Para o economista Benito Salomão, não haveria razão para interromper o movimento nesta reunião.
“Não vejo nenhum motivo para que essa taxa de juros não seja cortada nessa reunião, a exemplo do que o próprio Banco Central já tinha se comprometido a fazer. Temos uma inflação que, embora distante do centro meta, é uma inflação estável em 12 meses”, afirmou Salomão.
Selic influencia crédito, consumo e inflação
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação medida pelo IPCA. Quando a taxa sobe, financiamentos, empréstimos e outras modalidades de crédito tendem a ficar mais caros. Com isso, o consumo e os investimentos podem diminuir, reduzindo a circulação de dinheiro na economia e ajudando a conter a pressão sobre os preços.
Na definição das taxas cobradas dos clientes, os bancos também consideram fatores como o nível de inadimplência, os custos operacionais e a margem de lucro. Por esse motivo, uma alteração na Selic não é necessariamente repassada de forma imediata ou integral ao consumidor.
Quando os juros básicos caem, a expectativa é de barateamento dos empréstimos e financiamentos, o que pode estimular o consumo e a atividade econômica. Em sentido contrário, a elevação da Selic tende a encarecer o crédito e a desestimular os gastos de famílias e empresas. A decisão do Copom, portanto, terá impacto sobre o equilíbrio entre o controle da inflação e o ritmo da economia.








