Sete brasileiros foram eleitos nas eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos nesta terça-feira (3) e vão atuar como deputados estaduais em quatro estados americanos. Todos são do Partido Democrata, e duas delas eleitas são mineiras. Além de serem conterrâneas do seu país de origem, ambas representam o estado de Massachusetts. Veja os perfis:
Priscila Sousa
Nascida em Ipatinga, no Vale do Aço, ela se mudou para os Estados Unidos aos 7 anos. Foi criada em Framingham, cidade que abriga uma das maiores e mais tradicionais comunidades brasileiras do país — cerca de 8 mil brasileiros em uma população de 72 mil habitantes. Priscila obteve o green card em 2004, aos 16 anos, e anos depois se tornou cidadã americana.
Em 2009, formou-se em Ciência Política, Relações Internacionais e Inglês pela Simmons University. Aos 38 anos, concorreu à segunda reeleição e representa o 6º distrito de Middlesex desde janeiro de 2023.
Ela afirma que sempre foi bem acolhida na Câmara de Vereadores e na Câmara estadual, mas que a situação mudou após a volta de Donald Trump à Presidência: “Quanto à discriminação dos eleitores ou da comunidade em geral, nós vimos, infelizmente, acontecer mais depois da eleição do presidente Donald Trump. Certas ideologias, mentalidades, certo desprezo ao imigrante estrangeiro… Mas continuamos lutando.”, disse em entrevista ao g1.
Rita Mendes
Também deputada estadual em Massachusetts desde janeiro de 2023, Rita nasceu em Conselheiro Pena (MG). Ela mudou-se para os EUA com os pais em 2002 e chegou ao país sem falar inglês. A família se estabeleceu em Brockton, cidade que também tem forte influência brasileira no estado norte-americano. Ela representa o Distrito de Plymouth.
Antes de chegar à Câmara estadual, em 2019, foi eleita para o Conselho Municipal da cidade de Brockton. Aos 42 anos, tem formação em Direito pela universidade New England Law, em Boston, e atua como advogada e corretora de imóveis.
O que são as eleições ‘midterms’?
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, acontecem a cada dois anos nos Estados Unidos e definem a composição do Congresso. Quando caem no meio do mandato presidencial, recebem esse nome. O resultado indica qual partido controla o Congresso e, portanto, o grau de facilidade — ou de dificuldade — que o presidente terá para aprovar seus projetos.
O Congresso americano tem duas casas: a Câmara dos Representantes, com 435 deputados, e o Senado, com 100 senadores, dois por estado. Nas midterms, todos os 435 deputados são eleitos, enquanto no Senado apenas um terço das cadeiras é renovado. A disputa também envolve governos estaduais: neste ano, 36 estados escolheram governador, e mais de 6 mil cadeiras de assembleias estaduais foram submetidas ao voto. Os mandatos duram dois anos para representantes estaduais e federais; no Senado, são de seis anos.
O Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara dos Deputados ao atingir pelo menos 228 cadeiras e assumiu o controle do Senado ao somar 54 assentos, revertendo sete vagas que pertenciam aos republicanos no Texas, na Carolina do Norte, na Carolina do Sul, em Ohio, no Iowa, no Kansas e no Maine. Para controlar o Congresso, os democratas precisavam de 218 cadeiras na Câmara e 51 no Senado. A vitória, acima das expectativas, garante ao partido poder para barrar projetos e nomeações da Casa Branca, além de abrir investigações sobre a gestão federal.
Esta é a primeira vez desde 2006 que as duas casas do Congresso mudam de partido na mesma eleição de meio de mandato. Em resposta à vitória democrata, o presidente Donald Trump disse ter aceitado o resultado, mas publicou uma imagem com a palavra “veto”.









