Rodrigo Faro afirmou que já tratou a disputa pela audiência televisiva como uma questão pessoal, mas disse ter mudado sua relação com os índices ao longo dos anos. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o apresentador reconheceu que foi obcecado pela busca do primeiro lugar e avaliou que a necessidade de superar as emissoras concorrentes estava ligada, principalmente, à vaidade.
Ao ser questionado se já havia “pirado” por causa da audiência, Faro respondeu que sim. Segundo ele, a percepção sobre a importância dos números mudou com o tempo. O apresentador afirmou que atualmente não vê sentido em transformar a liderança no ranking em motivo de comemoração ou em medida definitiva para avaliar o trabalho realizado na televisão.
“Hoje, olhando para trás, cara, não tem que comemorar o primeiro lugar. Não precisa. Pra quê?”, refletiu durante a entrevista.
A declaração fez com que voltasse à discussão um episódio ocorrido em novembro de 2019, durante a cobertura da morte de Gugu Liberato. Na ocasião, o programa Hora do Faro, da Record, preparou uma homenagem ao apresentador. Faro participou da atração emocionado e chegou a chorar ao vivo, mas também foi registrado perguntando à produção sobre os índices de audiência do programa.
A pergunta provocou repercussão e críticas. Para parte do público, a atitude demonstrou preocupação com o desempenho da atração justamente enquanto a emissora prestava uma homenagem a Gugu. Anos depois, ao comentar o caso, Faro afirmou que passou a interpretar aquele comportamento como resultado de uma preocupação excessiva com a audiência e de uma vaidade que hoje considera exagerada.
Experiência com Vera Viel mudou prioridades
O apresentador relacionou essa mudança de perspectiva à experiência enfrentada por sua família durante o tratamento de saúde de sua mulher, Vera Viel. Em outubro de 2024, ela passou por uma cirurgia para a retirada de um tumor na perna. Depois do procedimento, realizou 33 sessões de radioterapia.
Para Faro, o período vivido ao lado de Vera contribuiu para que ele revisse a importância que atribuía à posição de um programa no ranking de audiência. A situação, segundo o apresentador, ajudou a separar o que considera essencial de preocupações relacionadas ao reconhecimento profissional e à disputa entre as emissoras.
“Eu acho que o que eu passei com a Vera me mostrou que isso é vaidade, isso é pura vaidade”, declarou.
Atualmente, Faro disse que pretende valorizar mais o prazer de trabalhar e a possibilidade de proporcionar diversão ao público. Ele afirmou que se sente confortável quando está no palco e que a experiência de apresentar o programa passou a ter mais peso do que a colocação alcançada nos índices de audiência.
“Eu, quando estou no palco, cara, eu me sinto em casa, eu me divirto, dou risada… Eu sou feliz no palco. Que seja apenas isso, que seja diversão para as pessoas”, afirmou.
Apresentador relembra disputa com Faustão e Silvio Santos
Na conversa, Rodrigo Faro também recordou o período conhecido como “guerra dos domingos”, marcado pela concorrência direta entre os principais programas dominicais da televisão brasileira. Ele reconheceu que a disputa entre as emissoras pode ser positiva para o público, mas ponderou que os resultados de audiência não representam apenas números: por trás de cada atração estão profissionais envolvidos na produção.
Faro citou ainda as ocasiões em que competiu diretamente com Faustão e Silvio Santos. Ao avaliar aquele período, questionou o real significado de celebrar uma vitória sobre os dois comunicadores, considerados referências da televisão brasileira.
“Qual é o barato de eu chegar e falar: ‘Ganhei do Faustão e do Silvio Santos’? Cara, eu nunca vou chegar no tamanho deles, nunca”, disse o apresentador.






