O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu por unanimidade manter a taxa Selic em 13,75% ao ano na reunião realizada nesta quarta-feira (4/11). Com a decisão, o Banco Central encerra a sequência de reduções iniciada em março e conserva o mesmo nível definido no encontro anterior, em 16 de setembro deste ano.
A manutenção da taxa básica de juros ocorreu em meio à avaliação de que as condições econômicas se deterioraram desde a última reunião. No comunicado divulgado após o encontro, o Copom mencionou mudanças negativas tanto no cenário interno quanto no ambiente internacional e indicou que a condução da política monetária deverá ser marcada por maior prudência.
No exterior, o comitê destacou o prolongamento da guerra no Oriente Médio como um dos elementos de pressão sobre a economia global. A continuidade do conflito contribuiu para uma nova elevação dos preços do petróleo, movimento que pode ampliar as incertezas sobre a inflação e afetar os mercados.
Outro ponto considerado pelos diretores foi a adoção de políticas monetárias mais restritivas pelas economias avançadas. De acordo com a avaliação apresentada no comunicado, esse movimento aumenta os riscos para países emergentes, especialmente em um período de maior oscilação nos preços de ativos financeiros e de commodities.
Atividade econômica perde ritmo, mas emprego continua resistente
No cenário doméstico, o Copom observou uma moderação da atividade econômica. Embora o crescimento tenha apresentado perda de velocidade, o mercado de trabalho foi classificado como “resiliente” pelos integrantes do comitê. A combinação indica que a economia brasileira desacelera sem que as condições de emprego tenham perdido a mesma força.
Ao mesmo tempo, as expectativas para a inflação se deterioraram. As projeções coletadas pela pesquisa Focus para 2026 e 2027 se distanciaram ainda mais da meta desde a reunião de setembro. As estimativas passaram a apontar inflação de 5,2% em 2026 e de 4,8% em 2027.
A política fiscal também permaneceu entre as preocupações do Copom. O comitê afirmou que o tema reforça a necessidade de cautela diante do aumento das incertezas. Apesar da sinalização de prudência, o comunicado não antecipou qual será o próximo passo na reunião prevista para dezembro.
O texto não indicou, portanto, se a Selic continuará em 13,75%, se o ciclo de cortes será retomado ou se poderá haver uma elevação dos juros. Para os diretores, o ambiente atual reúne uma taxa básica ainda “substancialmente contracionista”, maior incerteza em torno do cenário-base, expectativas inflacionárias mais elevadas e uma desaceleração doméstica mais intensa.
Na avaliação registrada pelo colegiado, essa combinação torna a condução da política monetária especialmente complexa e exige “serenidade e cautela”. A decisão sobre a Selic cabe ao Copom e está ligada à função do Banco Central de controlar a evolução dos preços de bens e serviços no país. Embora a inflação continue avançando, o comunicado considera que esse aumento ocorre em ritmo menos intenso.
Antes do ciclo de reduções iniciado em março, a Selic havia permanecido em 15% ao ano por cinco reuniões consecutivas. A manutenção em 13,75% já era amplamente prevista pelo mercado financeiro, que havia precificado majoritariamente esse resultado para o encontro desta quarta-feira.







