O dólar comercial fechou a quarta-feira (4/11) cotado a R$ 5,45, depois de recuar 0,64% ao longo da sessão. O desempenho da moeda norte-americana foi influenciado pela repercussão das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e pela avaliação dos investidores sobre o cenário econômico brasileiro, incluindo as perspectivas para o próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A trajetória do câmbio não foi de queda durante todo o pregão. Pela manhã, o dólar chegou a avançar e, às 11h05, era negociado a R$ 5,47. No decorrer do dia, porém, a pressão compradora perdeu intensidade. Com a mudança do comportamento dos negócios, a moeda passou a operar em níveis mais baixos e encerrou a jornada em R$ 5,45.
Entre os acontecimentos internacionais acompanhados pelo mercado esteve o resultado das eleições de meio de mandato norte-americanas. A votação foi considerada uma derrota para Donald Trump, enquanto o Partido Democrata obteve a maioria das cadeiras tanto no Senado quanto na Câmara dos Estados Unidos.
A nova composição do Congresso norte-americano passou a ser observada pelos agentes financeiros por causa dos possíveis reflexos sobre a condução política e econômica do país. Com os democratas no comando das duas casas legislativas, medidas defendidas pelo Executivo podem encontrar mais dificuldades para serem aprovadas e implementadas no futuro. Essa possibilidade contribuiu para a percepção de incerteza presente nos mercados durante a sessão.
O resultado eleitoral nos Estados Unidos, portanto, não foi avaliado apenas sob o ponto de vista político. Investidores também consideraram como a relação entre o governo e o Congresso poderá afetar decisões econômicas e políticas públicas. Essa leitura influenciou a negociação de ativos e esteve entre os fatores externos que ajudaram a explicar as oscilações registradas pelo dólar.
Boletim Focus elevou projeção para a inflação
No ambiente doméstico, o câmbio também refletiu a repercussão da edição do boletim Focus divulgada na terça-feira. O relatório reúne as estimativas de analistas do mercado para indicadores relevantes da economia brasileira e serve como referência para a avaliação das perspectivas econômicas.
Na edição mencionada, os especialistas aumentaram as previsões para a inflação e reduziram a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A combinação de uma estimativa de preços mais elevada com uma projeção menor para a expansão da atividade reforçou a cautela dos investidores.
As revisões passaram a fazer parte da análise sobre os próximos passos da economia brasileira e sobre a condução das políticas públicas pelo próximo governo. Esse cenário doméstico, somado às incertezas no exterior, contribuiu para a volatilidade observada na cotação da moeda durante o pregão.
Copom manteve a Selic em 13,75%
Outro ponto monitorado pelo mercado foi a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. Nesta quarta-feira, o órgão decidiu manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13,75%.
A manutenção preservou o patamar vigente dos juros brasileiros em uma sessão na qual o dólar alternou momentos de alta e baixa. A decisão do Copom integrou o conjunto de informações consideradas pelos agentes econômicos na avaliação do cenário nacional e das condições para os próximos períodos.
Petróleo também registrou queda
O mercado de commodities acompanhou ainda a movimentação do petróleo. O barril do tipo Brent, referência internacional, era negociado a US$ 102,25 às 9h. Na apuração de 24 horas encerrada às 17h53, entretanto, o preço havia recuado 8,07%, passando a ser cotado a US$ 95,24.
A queda do petróleo ocorreu no mesmo dia em que o dólar apresentou oscilações e terminou em baixa no mercado brasileiro. Assim, o comportamento da commodity também fez parte do conjunto de indicadores observados pelos investidores ao longo da quarta-feira.







