A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (6) uma operação para investigar uma organização suspeita de intermediar a entrada irregular de mais de 270 brasileiros nos Estados Unidos entre 2019 e 2024. Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Ipatinga, no Vale do Aço, em Minas Gerais, em endereços relacionados aos investigados.
Segundo as informações reunidas pela PF, o principal alvo da investigação seria o responsável por organizar a logística das viagens. O esquema começaria com a saída dos brasileiros do país em voos regulares e prosseguiria com a entrada clandestina em território norte-americano pela fronteira com o México.
A apuração indica que o suspeito teria montado a estrutura criminosa com a participação do próprio irmão, descrito como seu braço-direito, além de outros sete investigados. O grupo seria encarregado de organizar o deslocamento dos migrantes e, paralelamente, de ocultar bens e valores obtidos com a atividade.
A estimativa da Polícia Federal é de que cada pessoa encaminhada aos Estados Unidos pagasse cerca de 20 mil dólares. A quantia incluiria a organização do trajeto a partir do Brasil e a tentativa de ingresso irregular no país, por meio da fronteira mexicana.
Movimentação financeira teria alcançado R$ 70 milhões
As diligências também apontam para a utilização de sete empresas na circulação dos recursos. De acordo com a PF, as transações realizadas por esse conjunto empresarial somaram aproximadamente R$ 70 milhões. Desse montante, quase R$ 12 milhões teriam relação direta com o contrabando de migrantes.
As empresas, conforme a investigação, também poderiam ter sido usadas para dificultar a identificação da origem do dinheiro e do patrimônio ligado aos suspeitos. A corporação apura a existência de empresas de fachada e de mecanismos de lavagem de dinheiro destinados a dissimular os recursos provenientes do esquema.
Durante a operação, os policiais fizeram buscas em imóveis vinculados aos investigados e cumpriram diligências relacionadas a veículos pertencentes a eles, conforme as autorizações judiciais. A medida busca reunir documentos, equipamentos e outros elementos que possam esclarecer o funcionamento da organização e a movimentação financeira atribuída ao grupo.
Justiça determina bloqueio de até R$ 27 milhões
Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 27 milhões associados à investigação. A decisão pretende impedir que bens e valores possivelmente ligados às atividades criminosas sejam movimentados, transferidos ou ocultados durante o andamento do caso.
O período analisado pela Polícia Federal vai de 2019 a 2024, intervalo em que mais de 270 brasileiros teriam sido enviados irregularmente aos Estados Unidos. A investigação considera tanto a logística utilizada para retirar as pessoas do Brasil e levá-las até a fronteira com o México quanto a suposta estrutura empresarial criada para movimentar e esconder o dinheiro arrecadado.
Até o momento, os elementos apresentados pela PF descrevem suspeitas sobre a atuação do grupo, incluindo o papel atribuído ao principal investigado, ao irmão dele e aos demais sete envolvidos. As buscas e o bloqueio de valores fazem parte das medidas adotadas para aprofundar a apuração sobre o contrabando de migrantes, a lavagem de dinheiro e a ocultação patrimonial.






