O desabamento de cinco casas deixou 32 pessoas desabrigadas na noite dessa quinta-feira (5/11), no bairro Nazaré, na região Nordeste de Belo Horizonte. A ocorrência foi registrada depois de uma sequência de problemas estruturais apontados por moradores da rua e durante um período de chuva intensa na capital mineira. Apesar da dimensão do episódio, não houve registro de feridos.
De acordo com relatos de moradores, as construções já apresentavam sinais de comprometimento antes da queda. O farmacêutico Ailton Mateus Ferreira, de 61 anos, afirmou que partes dos imóveis haviam cedido anteriormente e que a Defesa Civil chegou a ser chamada para avaliar a situação. Mesmo após a presença do órgão, segundo ele, os trabalhos no local prosseguiram.
Ailton disse que a situação era conhecida na vizinhança e classificou o desabamento como uma tragédia que poderia ter sido evitada. Na avaliação dele, a forma como a obra foi executada contribuiu para o agravamento dos problemas. O morador afirmou ainda que já havia ocorrido queda de trechos em diferentes pontos da estrutura antes do colapso registrado na quinta-feira.
Segundo o farmacêutico, aproximadamente 30 pessoas viviam nas casas atingidas. Ele relatou que os moradores pertenciam a famílias de baixa renda e perderam o espaço onde moravam com o desabamento. Entre as pessoas que ocupavam os imóveis estavam duas mulheres grávidas, que conseguiram sair antes da queda das construções.
A chuva também foi apontada pelos moradores como um fator presente no período que antecedeu o acidente. Conforme os relatos, a precipitação começou por volta do meio-dia e permaneceu durante boa parte do dia, avançando até a noite. Pouco antes de as casas desabarem, moradores disseram ter escutado estalos e outros ruídos, interpretados como sinais de que a estrutura estava se deteriorando ainda mais.
Mesmo diante da perda das moradias e do risco provocado pelo colapso, Ailton ressaltou que o aspecto mais importante foi a ausência de vítimas. Para ele, o fato de os moradores terem deixado o local antes da queda evitou uma consequência ainda mais grave, especialmente porque havia indícios anteriores de instabilidade.
O farmacêutico também defendeu a demolição completa do que restou das construções. A medida, segundo ele, seria necessária para reduzir o risco de novos desabamentos e proteger as pessoas que vivem ou circulam nas proximidades. A preocupação se baseia no histórico de cedimentos registrado no endereço e no acionamento anterior da Defesa Civil.
Ailton afirmou que a situação envolvia um vizinho conhecido, mas ponderou que a proximidade entre os moradores não diminuía a gravidade dos problemas identificados na obra. Ele também chamou atenção para a quantidade de materiais e estruturas que permaneciam sobre o local, apontando a necessidade de eliminar os trechos que ainda poderiam cair.
As imagens do desabamento foram registradas por Raíssa Oliveira, de O TEMPO.







