A novela Lá na Minha Terra estreia nesta segunda-feira (9) com uma história marcada por abandono, identidade falsa, bigamia e conflitos entre duas famílias. A trama acompanha Rosenda (Dira Paes), que criou sozinha cinco filhos na fictícia Lavra Seca, no interior do Nordeste, depois que o marido, Severino (Daniel de Oliveira), desapareceu. Mais de 15 anos após a partida dele, ela descobrirá que o homem está vivo, enriqueceu em São Paulo e formou uma nova família sem jamais ter se divorciado.
Durante o período em que esteve longe, Severino passou a usar o nome de Cesário Ávila e assumiu uma vida completamente diferente. Em São Paulo, ele se tornou um empresário milionário e vive ao lado de Ismália (Camila Morgado), com quem teve uma filha, Alice Ávila Alencar (Giulia Benite). A existência da primeira família, mantida em Lavra Seca, foi escondida por Cesário ao longo dos anos.
A verdade começa a se aproximar de Rosenda depois da morte de um padre. O acontecimento desencadeia a viagem da protagonista para a capital paulista, onde ela tentará descobrir o que ocorreu com o marido e entender as razões do desaparecimento. A busca, no entanto, será marcada por dificuldades. Assim que chegar a São Paulo, Rosenda será roubada e contará com a ajuda de Marleide (Castorine).
Rosenda enfrenta o abandono enquanto sustenta os cinco filhos
Antes de seguir para São Paulo, Rosenda mantém a família em Lavra Seca com a criação de cabras em terras arrendadas de Almerindo (Mateus Solano). Viúvo e fazendeiro, ele é apaixonado pela protagonista e representa uma possibilidade de mudança na vida dela. Mesmo sem receber notícias de Severino há mais de 15 anos, Rosenda continua fiel ao casamento e conserva hábitos relacionados à união. Entre os sinais dessa espera está o lugar que ela ainda reserva à mesa para o marido ausente.
A descoberta de que Severino sobreviveu sob outra identidade e constituiu uma segunda família colocará Rosenda diante de uma escolha difícil. Além de lidar com o abandono, ela precisará avaliar se ainda pretende manter os vínculos com o marido ou se permitirá viver um novo relacionamento ao lado de Almerindo.
Na capital paulista, a protagonista também conhecerá Celestina (Lilia Cabral), proprietária de uma pensão que sabe quem é, de fato, Cesário. A informação se transforma em instrumento de poder: conhecedora do passado do empresário, Celestina passa a chantageá-lo.
A revelação divide a família de Cesário
Quando a bigamia for descoberta, Ismália expulsará Cesário de casa, mas não estará disposta a abrir mão do marido. O segredo também afetará diretamente Alice, filha do casal, que passará a questionar os valores e as certezas que orientavam sua vida.
Entre os filhos de Rosenda, Maria Lina Madeira (Arianne Botelho) se destaca por nunca ter abandonado a procura pelo pai. A jovem se verá envolvida em um triângulo amoroso com o vaqueiro Raimundo Gerardo (Danilo Mesquita) e Daniel (Jesuita Barbosa), rapaz rico de São Paulo.
Damaso Madeira (Miguel Rômulo), o filho mais velho, precisou assumir responsabilidades pela família ainda jovem. A ausência paterna deixou ressentimentos, que voltarão à tona quando Severino reaparecer. Damaso também viverá uma relação turbulenta com Socorro (Lucy Alves).
Daniel Alencar (Jesuita Barbosa) é filho do primeiro casamento de Ismália. O jovem tem uma relação complicada com a mãe e se aproximará de Maria Lina. Já Alice Ávila Alencar (Giulia Benite), filha de Cesário e Ismália, será diretamente atingida pela revelação da vida dupla do pai.
Celestina concentra segredos e negócios na trama
Além de administrar a pensão, Celestina Guerreiro trabalha como agiota e é apresentada como uma mulher manipuladora. Ela usará o conhecimento sobre o passado de Cesário para pressioná-lo e também mantém, em segredo, a propriedade do cabaré de Lavra Seca.
Criada e escrita por Mario Teixeira, Lá na Minha Terra marca a terceira parceria do autor com o diretor artístico Allan Fiterman. Os dois já trabalharam juntos em Mar do Sertão (2022) e No Rancho Fundo (2024).
A produção preserva elementos presentes nos trabalhos anteriores da dupla, como o universo fabular, o humor e as referências à cultura popular nordestina. Ao mesmo tempo, amplia o alcance da narrativa ao colocar São Paulo entre os principais cenários. As gravações foram realizadas na Chapada Diamantina, na Bahia, e na capital paulista.
Combinando romance, comédia e disputas familiares, a novela também aborda temas como empreendedorismo e sustentabilidade. O reencontro de duas famílias separadas por mais de 15 anos serve de ponto de partida para discutir abandono, lealdade, identidade e a possibilidade de reconstruir a própria vida.








