O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá promover uma reunião com integrantes atuais e antigos da equipe econômica vinculada ao Partido dos Trabalhadores para discutir as diretrizes que poderão orientar a economia a partir de janeiro de 2027. A conversa ocorre enquanto o governo avalia prioridades para um eventual novo mandato e analisa os caminhos para as políticas fiscal, monetária e administrativa.
O encontro deverá reunir nomes que ocupam funções estratégicas na estrutura econômica do governo e ex-integrantes que já comandaram áreas relevantes da administração pública. Estão previstos o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o ex-ministro da pasta Fernando Haddad. Também foram convidados o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega; o ministro do Planejamento, Bruno Moretti; e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante.
A formação do grupo permite combinar a visão de autoridades atualmente responsáveis pela execução das políticas econômicas com a experiência de ex-ministros associados a outros períodos dos governos do PT. A intenção é oferecer a Lula avaliações diferentes sobre os obstáculos que poderão surgir no próximo mandato e sobre as alternativas para a condução das contas públicas, dos juros e da administração federal.
As discussões também devem abordar a organização da futura equipe econômica, caso o presidente avance para um novo mandato. A escolha dos nomes para postos-chave integra o debate sobre o modelo de gestão que poderá ser adotado a partir de janeiro de 2027. Até o momento, porém, não foram anunciadas decisões sobre mudanças de ministros, alterações na orientação econômica ou substituições em cargos da administração.
Juros e política monetária entram no debate
Na quinta-feira (5), Dario Durigan comentou os possíveis rumos da política econômica para 2027. A manifestação ocorreu em um cenário de debates internos sobre as prioridades do governo e sobre a necessidade de definir uma estratégia para o próximo período de gestão.
Um dos assuntos que ganharam repercussão recentemente foi a condução da política monetária. O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, defendeu uma redução mais intensa da taxa básica de juros. A posição provocou reações no mercado financeiro por envolver a possibilidade de uma mudança na orientação adotada para os juros.
A possibilidade de uma conversa entre Lula e Lara Resende também passou a ser comentada. Durigan, entretanto, afirmou que a proposta apresentada pelo economista não está sendo discutida pelo governo. O ministro também negou a existência de uma reunião agendada entre o presidente e Lara Resende.
Governo avalia alternativas para o ajuste fiscal
Além da política monetária, o debate deverá incluir a elaboração de um eventual plano de ajuste fiscal. A discussão envolve a tentativa de conciliar os compromissos assumidos durante a campanha com as metas previstas para o resultado das contas públicas.
Entre os desafios está a definição de medidas capazes de conter o avanço das despesas sem comprometer as prioridades defendidas pelo governo. A análise deverá considerar tanto a necessidade de preservar o equilíbrio fiscal quanto a manutenção das promessas que orientam a atuação da administração.
A reunião com atuais e ex-integrantes da equipe econômica deverá funcionar, inicialmente, como um espaço para organizar diagnósticos e comparar propostas. O encontro poderá ajudar Lula a avaliar diferentes leituras sobre a situação econômica antes de definir as diretrizes do eventual novo mandato e os nomes que ocuparão as principais funções da área.
Até agora, não há decisões concretas divulgadas sobre mudanças na política econômica, redução ou alteração na condução dos juros, elaboração definitiva de um ajuste fiscal ou troca de integrantes da equipe ministerial. As conversas previstas devem anteceder essas definições e servir para avaliar os caminhos possíveis para a economia a partir de janeiro de 2027.








