O ministro da Educação, Leonardo Barchini, apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, neste domingo (8), a estrutura montada para a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. A reunião ocorreu na sede do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em Brasília (DF), antes do início das provas, previsto para as 13h, simultaneamente em todo o país.
Durante o encontro, o ministro detalhou o trabalho necessário para levar os cadernos de questões aos locais de aplicação dentro do prazo e com segurança. Segundo Barchini, os exames foram enviados durante a semana aos centros de distribuição instalados nas cidades. A etapa final da operação começou às 10h deste domingo, quando os materiais passaram a ser encaminhados diretamente para as unidades onde os candidatos fariam a prova.
Os dados apresentados ao presidente indicavam que, às 11h09, 74% dos exames já haviam sido entregues. A edição deste ano ocorre em 14.868 locais, distribuídos por 1.901 municípios, com aplicação em mais de 184 mil salas de aula. Conforme destacou o ministro, o Enem superou pela primeira vez a marca de 1.900 cidades participantes.
A dimensão da operação envolve centenas de milhares de pessoas em diferentes funções. O esquema conta com 15 mil coordenadores, 184 mil chefes de sala, 196 mil aplicadores e 56 mil fiscais volantes. Também foram mobilizados 46 mil profissionais responsáveis por atividades de apoio, incluindo porteiros e vigilantes.
A logística inclui ainda a participação de mais de 25 mil funcionários dos Correios, responsáveis por parte do transporte e da distribuição dos materiais. Considerando todas as funções envolvidas direta ou indiretamente, o número chega a 596.812 trabalhadores, quantidade próxima de 600 mil profissionais.
Para movimentar os exames e garantir a segurança dos deslocamentos, foram utilizados 2.676 veículos de distribuição e 3.154 veículos de escolta. Em áreas cujo acesso depende de transporte aquaviário, a operação também conta com 26 embarcações. A estrutura foi apresentada por Barchini como uma das maiores e mais complexas mobilizações logísticas realizadas para um exame.
“O Enem é uma das operações mais complexas do mundo”, declarou o ministro. Ele também agradeceu o apoio das polícias e das Forças Armadas na proteção dos materiais e na segurança dos locais de prova em diferentes regiões do território nacional.
Ministro relaciona Enem à expansão do ensino superior
Além de explicar o funcionamento da operação, Barchini destacou os efeitos do acesso ao ensino superior na trajetória profissional dos estudantes. De acordo com os dados mencionados pelo ministro, trabalhadores com graduação recebem, em média, um salário 2,5 vezes maior do que aqueles que não concluíram uma formação superior.
A diferença também aparece nos índices de desemprego. Entre as pessoas com ensino superior, a taxa é de 2,7%, equivalente à metade do percentual registrado entre os que não possuem esse nível de escolaridade.
Barchini afirmou ainda que a quantidade de pessoas com formação superior no mercado de trabalho aumentou de 5 milhões, no início do século 21, para 25 milhões atualmente. Na avaliação dele, parte desse crescimento está associada ao modelo de seleção ampliado pelo Enem.
Antes de a nota do exame ser aceita como forma de ingresso em universidades, os candidatos precisavam se inscrever em vestibulares realizados em diferentes cidades. Além das taxas cobradas pelas instituições, havia gastos com transporte e a necessidade de participar de provas em fins de semana distintos, o que dificultava o acesso de muitos estudantes.
Para o ministro, a mudança também alterou a composição das universidades federais. Segundo os números apresentados, antes da expansão do Enem aproximadamente um terço dos alunos dessas instituições era formado por estudantes da rede pública. Duas décadas depois, essa proporção alcançou dois terços, índice próximo de 70%.
Barchini avaliou que o processo tornou as universidades federais mais inclusivas e representativas da população brasileira. Na visão do ministro, ao ampliar as possibilidades de acesso ao ensino superior, o Enem contribuiu para modificar o perfil dos estudantes dessas instituições.
Inep prevê reaplicação em dezembro para problemas causados pelo clima
Após a reunião com Lula, o ministro informou que candidatos impedidos de chegar ao primeiro dia de provas por condições climáticas terão uma nova oportunidade. O Inep acompanha as ocorrências relacionadas ao clima e prevê a realização de uma segunda aplicação em dezembro para os participantes que se enquadrarem nessa situação.
Os portões dos locais de prova fecham às 13h deste domingo (8). Ao concluir a apresentação, Barchini reforçou a orientação para que os candidatos chegassem dentro do horário estabelecido e desejou boa sorte aos participantes do Enem 2026.








