O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (8) que a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) simboliza uma mobilização nacional em defesa da educação e contra o retrocesso. A declaração ocorreu durante uma visita à sala de monitoramento da aplicação das provas, instalada na sede do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em Brasília.
Durante a agenda, Lula destacou a dimensão da estrutura necessária para colocar o exame em funcionamento e comparou a operação a uma grande mobilização. Segundo o presidente, a quantidade de pessoas envolvidas e a organização exigida lembram o esforço de uma guerra. A diferença, ressaltou, está no objetivo da iniciativa: em vez de levar jovens a um conflito armado, o Enem reúne estudantes, trabalhadores e familiares em torno de uma oportunidade de acesso à formação educacional.
Ao explicar a comparação, Lula mencionou a situação de jovens enviados para guerras sem a certeza de que retornarão vivos. “Eu fico imaginando as pessoas que vão para as guerras, levam milhares de jovens para morrer. Ou seja, coloca um jovem num navio, num avião, num trem e fala: vai lutar, e não dá certeza de que esse jovem vai voltar vivo”, afirmou.
Na avaliação do presidente, a mobilização organizada para o Enem tem um sentido oposto ao de um conflito. “Nós aqui estamos fazendo uma guerra contra o retrocesso, estamos fazendo uma guerra pela educação, uma guerra que significa paz”, declarou. A frase foi usada para reforçar a ideia de que o exame envolve uma disputa por oportunidades educacionais e pelo avanço social.
Lula também observou que o alcance da prova ultrapassa os candidatos que se dirigem aos locais de aplicação. Para ele, cada estudante mobiliza uma rede de familiares, que pode incluir pais, avós, tios, irmãos e primos. Dessa forma, a realização do Enem interfere na rotina de um grupo maior de pessoas e amplia o impacto social da avaliação.
Outro ponto destacado pelo presidente foi o contingente de profissionais empregado na operação. Aproximadamente 700 mil trabalhadores participam de diferentes etapas do Enem 2026. Eles atuam no apoio aos candidatos, na organização das provas e em tarefas relacionadas à segurança e à lisura do processo.
Ao comentar a dimensão desse trabalho, Lula afirmou que toda a estrutura é necessária para oferecer aos participantes confiança na avaliação. “Para que as pessoas possam saber que estão participando de um exame cem por cento”, disse o presidente.
Enem 2026 reúne mais de 5,6 milhões de inscrições
A edição de 2026 recebeu 5.655.423 inscrições. Do total, 89,3% foram confirmadas, o que corresponde a aproximadamente 5,05 milhões de candidatos aptos a fazer as provas. Esse é o maior número de participantes com inscrição confirmada desde 2020, quando o exame registrou cerca de 5,8 milhões de inscritos nessa condição.
O resultado também representa uma alta de 5% em relação a 2025. Na edição anterior, foram contabilizadas 4,8 milhões de inscrições confirmadas. O crescimento indica recuperação do número de participantes habilitados, embora o volume ainda esteja abaixo dos maiores patamares registrados na década passada.
O recorde da série histórica iniciada em 2009 ocorreu em 2014, quando o Enem alcançou 8,8 milhões de inscrições confirmadas. Na comparação com aquele resultado, o total de 2026 é 42,3% menor.
As inscrições confirmadas não equivalem necessariamente à quantidade de estudantes presentes nos locais de prova. O balanço definitivo de comparecimento e abstenção do Enem 2026 ainda deverá ser divulgado posteriormente pelo Inep.








