O papa Leão XIV chegou neste domingo (8) a Buenos Aires, na Argentina, para a segunda etapa de sua viagem apostólica pela América do Sul. Recebido pelo presidente Javier Milei no aeroporto, o pontífice inicia uma agenda no país poucos dias depois da prisão de um homem investigado por ameaças de morte feitas contra ele durante a visita.
O suspeito, de 49 anos, foi detido na sexta-feira (6), em Villa Rosa, na província de Buenos Aires. A localização ocorreu após uma denúncia anônima que levou as autoridades a iniciar uma operação de investigação. De acordo com a Secretaria de Inteligência, o trabalho reuniu diligências em campo, monitoramento sigiloso, interceptações telefônicas e o emprego de uma tecnologia conhecida como “captura de IMSI”, capaz de ajudar a identificar e rastrear o aparelho celular usado nas ameaças.
Segundo o órgão, a prisão foi realizada em menos de 24 horas depois que as informações chegaram às autoridades. Em uma publicação, a Secretaria de Inteligência informou que os dados obtidos pela Subsecretaria de Operações foram repassados ao DUIA, Departamento da Unidade de Investigação Antiterrorista da Polícia Federal Argentina. A unidade federal foi responsável por localizar e prender o investigado.
Visita marca retorno de um papa à Argentina após 39 anos
A passagem de Leão XIV pelo país tem significado histórico por ser a primeira visita de um pontífice à Argentina em 39 anos. A última viagem papal ao território argentino ocorreu em abril de 1987, quando João Paulo II esteve no país.
O papa Francisco, antecessor de Leão XIV, nasceu na Argentina e foi o primeiro pontífice argentino da história. Apesar de sua origem, ele não retornou ao país durante os anos em que esteve à frente da Igreja Católica. Leão XIV afirmou que sua visita também representa uma homenagem a Francisco.
Durante o voo entre Roma e Montevidéu, primeira parada da viagem, o atual papa conversou com jornalistas argentinos e disse que viajava “com muita alegria” para realizar o percurso que Francisco não conseguiu fazer. Antes de chegar à Argentina, Leão XIV esteve no Uruguai, onde se reuniu com autoridades, participou de celebrações religiosas, fez uma homilia e seguiu até Paysandú. Na cidade, celebrou a primeira missa da viagem apostólica.
Programação inclui encontro com Milei e celebrações religiosas
Leão XIV permanecerá na Argentina até 11 de novembro. Entre os compromissos previstos está uma reunião com Javier Milei na Casa Rosada. No dia seguinte à chegada, o pontífice deverá visitar um projeto social em Claypole, na região metropolitana de Buenos Aires.
A agenda também inclui uma missa na capital argentina e outra em Córdoba, marcada para o dia 10. O papa ainda deverá visitar detentos no Complexo Penitenciário Federal de Buenos Aires, em uma programação que combina compromissos institucionais, atividades religiosas e ações voltadas a projetos sociais.
Viagem ocorre semanas após cirurgia no pulmão
A jornada sul-americana acontece menos de um mês depois de Leão XIV passar por uma cirurgia para retirar um tumor cancerígeno no pulmão direito. O pontífice recebeu o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar. Conforme informações do Vaticano, o tratamento previsto após o procedimento será preventivo e deverá consistir em imunoterapia.
Mesmo após a cirurgia, o papa mantém a programação internacional prevista para a viagem, que inclui Argentina e Peru. A passagem pelo continente começou no Uruguai e seguirá, depois da etapa argentina, para o país onde Leão XIV também possui uma ligação pessoal e religiosa.
Peru será a próxima etapa da viagem apostólica
Depois de deixar a Argentina, Leão XIV viajará ao Peru. Embora seja o primeiro papa nascido nos Estados Unidos, o pontífice também tem cidadania peruana e viveu aproximadamente 20 anos no país. Entre 2015 e 2023, ele ocupou o cargo de bispo de Chiclayo, uma das cidades incluídas no roteiro.
Ao chegar a Lima, o papa deverá se reunir com a presidente Keiko Fujimori. No dia 12, ainda na capital peruana, participará de um encontro dedicado aos “desafios e às esperanças para o futuro do povo peruano”.
A programação prevê, na sequência, a viagem a Chiclayo, no noroeste do Peru. Na cidade, Leão XIV celebrará uma missa e participará da cerimônia de coroação da Virgem Imaculada, na Catedral de Santa Maria, situada no centro histórico local.
No dia 15, o pontífice seguirá para Cusco e, depois, para Pucallpa, na região amazônica peruana, próxima da fronteira com o Brasil. Na capital da região de Ucayali, ele terá encontros com missionários e representantes dos povos amazônicos. Ao final dessa etapa, retornará a Lima e embarcará de volta para a Cidade do Vaticano em 17 de novembro.








