Indicado neste domingo (8) pelo presidente de Israel, Isaac Herzog, para tentar formar o próximo governo do país, Gadi Eisenkot afirmou que poderá negociar a entrada do Likud e do Partido Sionista Religioso em uma coalizão de unidade nacional. O líder do principal bloco de oposição, porém, estabeleceu duas condições para a participação dessas legendas: o novo governo deverá ser comandado por ele, e os partidos deverão apoiar as diretrizes políticas que apresentou.
A proposta de Eisenkot envolve diretamente o Likud, partido do primeiro-ministro em fim de mandato, Benjamin Netanyahu, e seus aliados. Embora tenha demonstrado disposição para dialogar com as siglas que integram a base ligada ao atual governo, o oposicionista deixou claro que não considera a unidade nacional suficiente por si só. Na avaliação dele, a eventual união deverá ocorrer em torno de uma administração sob sua liderança.
“Se os membros do Likud e do Partido Sionista Religioso realmente acreditam que este é um momento para a unidade, como disseram ao presidente, não vejo motivo para que não apoiem um governo liderado por mim e baseado nos princípios que apresentei”, declarou Eisenkot.
A fala define o ponto de partida das negociações para a formação do novo governo israelense. O líder oposicionista sinalizou abertura para incorporar adversários políticos à futura coalizão, mas vinculou essa possibilidade à aceitação de sua autoridade e de seu programa. Assim, a participação do Likud e do Partido Sionista Religioso não seria automática e dependeria do compromisso dessas siglas com as condições apresentadas.
Negociações envolvem partido de Netanyahu
O Likud é a legenda de Benjamin Netanyahu, que ainda ocupa o cargo de primeiro-ministro, mas está em fim de mandato. O Partido Sionista Religioso aparece como parte do conjunto de aliados que poderia ser chamado a discutir a composição da próxima administração. A possibilidade de reunir, em uma mesma estrutura de governo, grupos ligados ao atual primeiro-ministro e o principal bloco de oposição coloca a relação entre as forças políticas no centro do processo iniciado com a indicação presidencial.
Ao designar Eisenkot, Isaac Herzog afirmou que Israel atravessa uma “nova realidade política”. A expressão usada pelo presidente foi relacionada ao cenário de mudanças na correlação de forças políticas, tanto no ambiente interno israelense quanto no contexto internacional mencionado pelas autoridades.
Entre os elementos citados está o resultado recente das eleições nos Estados Unidos. Segundo o texto, os democratas conquistaram a maioria nas duas casas do Congresso americano, em um desdobramento associado à nova conjuntura em torno do presidente republicano Donald Trump. Esse resultado foi apresentado como um dos fatores que contribuíram para o cenário político descrito por Herzog.
Com a indicação feita no domingo (8), Eisenkot assume a tarefa de organizar uma maioria capaz de sustentar o próximo governo de Israel. O processo dependerá da capacidade de aproximar partidos com posições políticas distintas e de obter apoio suficiente para suas diretrizes. A inclusão do Likud e de seus aliados poderá ampliar a base da coalizão, mas somente se essas legendas aceitarem um governo liderado pelo oposicionista.
Até o momento descrito, a proposta de Eisenkot combina disposição para a unidade com uma exigência central de comando político. A formação da coalizão, portanto, ficará condicionada não apenas à participação dos partidos associados a Netanyahu, mas também à concordância deles com os princípios apresentados pelo novo encarregado de tentar formar o governo.








