Por Oliveira Lima
Por quase duas décadas o Cruzeiro não se preocupou com o seu gol: tinha o extraordinário Fabio. Mas ele saiu para o Fluminense. Até chegar ao goleiro Cássio, Cruzeiro teve Rafael Cabral, que pediu para ir embora pela pressão da torcida. Léo Aragão não deu conta do recado e veio Cássio, que finalmente fez a torcida “esquecer” o lendário Fábio. Cássio se lesiona (só volta no final do ano) e seu substituto natural Mateus Cunha(muito tempo sem jogar), falhou na sua missão.
Na linha sucessória dos goleiros, entra o pessoal da base: Otávio e Marcelo, com 20 anos e Vitor Lamounier, que tem 18. O corajoso técnico português Artur Jorge, não titubeou e acreditou no jovem Otávio. Estreou na Copa do Brasil diante do Goias no Serra Dourada, no Brasileirão, jogou contra o Remo em Belém do Para e jogou o clássico contra o Galo e depois na Libertadores diante do Boca Jrs . E nesta quarta 06 de maio, simplesmente foi o melhor em campo, na batalha de San Carlo de Apoquino, quando o Cruzeiro segurou a Católica do Chile, com um jogador a menos. Otávio fechou o gol na sua estreia no exterior nesta Libertadores.
A sensação que fica (pra não dizer certeza) é que o Cruzeiro achou o substituto de Cássio até o final do ano. Ele tem apenas quatro jogos neste momento do Cruzeiro, mais três no Campeonato Mineiro, quando o time principal estava em tempo de treinamento. E quem é Otávio? É natural de Perdigão, região centro-oeste de Minas Gerais e chegou ao Cruzeiro os 10 anos de idade, sendo titular em todas as bases do clube. Titular também das bases da Seleção Brasileira, se destacando na sub 20.
Ora, pra quem em 12 dias enfrenta o mata-mata de Copa do Brasil, joga no Baenão contra o Remo, enfrenta o clássico contra o Galo e depois simplesmente o Boca Jrs e a Católica no Chile, testes maiores e melhores não existem. Aliás existem sim: dia 19 deste mês de maio, Otávio simplesmente passará pelo maior desafio da sua vida: jogar contra o Boca Jrs (decisão de vaga) em pleno La Bombonera que é a maior “panela de pressão” do futebol mundial. Otávio tem desafios dignos de cinema. São dias que valem a vida.









