Após a confirmação do primeiro óbito por hantavírus em 2026 no país, o secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, afastou qualquer possibilidade de surto da doença no estado. O caso foi registrado em Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, onde um homem de 46 anos teve contato com roedores silvestres em uma lavoura de milho.
Apesar de Minas registrar a primeira morte no país, o secretário garante que se trata de uma ocorrência isolada, que repete o padrão de anos anteriores e não tem relação com o surto recente a bordo de um navio de cruzeiro na Espanha.
“Não tem o menor risco de contaminação entre humanos e nem que se torne um surto ou epidemia. O que temos foi um óbito como ocorreu em anos anteriores”, afirmou em entrevista à TV Globo nesta segunda (11). Baccheretti lembrou que, em 2025 e em 2024, Minas também registrou quatro mortes pela doença, números que se mantêm estáveis.
Ele destacou que as cepas do vírus são diferentes e que, no Brasil, o hospedeiro natural é o rato silvestre — não as ratazanas ou outras espécies urbanas. Por isso, a transmissão está concentrada na zona rural, principalmente em locais como paióis, galpões e lavouras, onde a pessoa aspira poeira contaminada com fezes, urina ou saliva de roedores infectados. “Geralmente, a contaminação acontece quando a pessoa varre um ambiente fechado e levanta essa poeira”, explicou o secretário.
A morte confirmada neste domingo pela Fundação Ezequiel Dias, na verdade, ocorreu em fevereiro. A vítima começou a sentir dor de cabeça no dia 2 daquele mês. Quatro dias depois, já apresentava febre, dores musculares e nas articulações, além de dor lombar. Ele morreu em 8 de fevereiro, e o resultado do exame só foi divulgado recentemente.
Sintomas e prevenção da hantavirose
A hantavirose se manifesta no Brasil principalmente como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus. Nos quadros mais graves, surgem dificuldade para respirar, tosse seca, aceleração dos batimentos cardíacos e queda de pressão. Não existe um tratamento específico — o atendimento se baseia em medidas de suporte, de acordo com a avaliação médica de cada caso.
- Manter alimentos armazenados em recipientes fechados e protegidos de roedores;
- Dar destino adequado ao lixo e entulhos;
- Manter terrenos limpos e roçados ao redor das residências;
- Não deixar ração animal exposta;
- Retirar diariamente restos de alimentos de animais domésticos;
- Enterrar o lixo orgânico a pelo menos 30 metros das construções;
- Evitar plantações muito próximas das residências, mantendo distância mínima de 40 metros;
- Ventilar o ambiente antes de entrar em locais fechados, como paióis, galpões, armazéns e depósitos;
- Umedecer o chão com água e sabão antes da limpeza desses ambientes, evitando varrer a seco.





