O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, comunicou ao pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro que o governo norte-americano, sob a liderança do presidente Donald Trump, não tem a intenção de suspender as tarifas recentemente impostas ao Brasil. A resposta foi enviada em decorrência de uma carta que o gabinete do senador brasileiro encaminhou no início de junho.
O conteúdo da resposta de Rubio foi revelado na última terça-feira (23) pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Na correspondência original, Flávio Bolsonaro critica o aumento das tarifas, que, segundo ele, representam um “peso sobre as famílias comuns”. O senador também apresentou dados econômicos para argumentar que o aumento da dívida pública está relacionado à gestão do governo federal, embora não tenha especificado as fontes dessas informações.
Bolsonaro destacou que a inadimplência no Brasil atinge um recorde de 81,7 milhões de pessoas, o que equivale a quase metade da população adulta. Ele afirmou que o pagamento de dívidas consome uma parte significativa da renda familiar, gerando preocupações sobre a saúde financeira das famílias brasileiras. O senador também expressou sua intenção de, caso eleito presidente em outubro, redefinir as relações comerciais entre Brasília e Washington, propondo uma equipe de transição para negociar um acordo de comércio e investimento que beneficie ambos os países.
Em sua resposta, Marco Rubio reiterou que os Estados Unidos estão abertos a colaborar com “líderes escolhidos pelo povo brasileiro” para estabelecer um acordo comercial que seja “amplo, justo e mutuamente benéfico”. No entanto, Rubio enfatizou que, segundo a avaliação do Representante de Comércio dos Estados Unidos, a abertura de uma consulta pública é o caminho mais apropriado neste momento. Isso possibilita que as partes interessadas apresentem argumentos e dados para contestar a decisão, e o processo está aberto à participação do Brasil, incluindo uma audiência pública agendada para o dia 6 de julho.
Rubio também mencionou que algumas políticas e práticas adotadas pelo Brasil são vistas como “irracionais ou discriminatórias”, afirmando que essas medidas “sobrecarregam ou restringem o comércio dos Estados Unidos”. Essa declaração sugere uma crítica à abordagem comercial do Brasil, que, segundo o secretário, pode estar dificultando as relações bilaterais.
Além disso, Flávio Bolsonaro elogiou a recente decisão do governo americano de classificar organizações criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como entidades terroristas. O senador afirmou que essa medida foi bem recebida por grande parte da população brasileira, embora tenha gerado descontentamento no governo federal. Em resposta, Rubio reconheceu a preocupação dos Estados Unidos com a violência e as redes criminosas que essas facções representam, afirmando que o governo americano está tomando medidas decisivas para proteger tanto os brasileiros quanto os cidadãos americanos do crime organizado transnacional.
A troca de correspondências entre os dois políticos reflete a complexidade das relações comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, evidenciando tanto as preocupações econômicas quanto os desafios relacionados à segurança pública.








