O governo federal segue negociando nos bastidores para evitar um novo tarifaço de 25% que pode ser imposto pelos Estados Unidos para setores que são dominados por empresas norte-americanas. A estratégia ocorre poucos dias antes do fim do prazo, para que Washington decida se vai aplicar ou não a alíquota sobre os produtos brasileiros, que termina em 15 de julho.
As conversas ocorrem em meio a um ambiente de cautela dentro do Palácio do Planalto, com alguns integrantes querendo demonstrar uma abertura para o diálogo. Ao mesmo tempo, setores do Executivo estão avaliando com pessimismo as chances da medida ser revertida. Nos bastidores, a informação é de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer evitar que Lula tenha uma espécie de vitória diplomática em um ano eleitoral.
O Palácio do Planalto vê a possibilidade de diminuição de taxas em itens como máquinas, equipamentos de saúde e tecnologia da informação, como uma espécie de bala de prata. Com isso, a aposta é de que uma oferta possa abrir espaço para uma solução diplomática antes da eventual imposição de sanções comerciais.
Em outro ponto, auxiliares de Lula avaliam que a disputa do tarifaço pode ser explorada politicamente pela candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. E inclusive foi o que aconteceu após o senador ter enviado um documento ao Escritório do Representante Especial do Comércio dos Estados Unidos (USTR) pedindo o adiamento da sobretaxa para depois das eleições, e também para participar da audiência que pode definir a imposição da taxa pelos americanos.
O outro lado da moeda
Após chegar aos Estados Unidos no último sábado (4), o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a fazer críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No domingo (5), Flávio afirmou que Lula “quer” o tarifaço de 25% proposto pelos Estados Unidos para ter ganho político.
Um dos principais argumentos dos Estados Unidos para a imposição é o Pix, que na avaliação dos norte-americanos faria uma concorrência desleal com as empresas de lá. Também estão na lista as falhas no combate à corrupção e ao desmatamento ilegal, e tarifas de importação de etanol.
Ainda nas falas que fez, Flávio destacou que pretende mudar essa narrativa, se colocando contra a proposta. A medida vai de encontro a um movimento de se livrar da acusação feita pelo presidente e apoiadores, que dizem que Flávio incitou o Donald Trump a aplicar essas tarifas na última vez que esteve nos Estados Unidos.








