O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) acatou um recurso apresentado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e decidiu pela continuidade da suspensão do programa de escolas cívico-militares na rede estadual de ensino. A deliberação ocorreu durante uma sessão ordinária presencial na quinta-feira, 9 de novembro, e foi aprovada por maioria de votos.
Com essa decisão, o TJMG não apenas determina que o programa seja interrompido no estado, mas também proíbe a manutenção das escolas que já operam sob esse modelo. O Governo de Minas Gerais, ao ser consultado sobre a decisão, informou que se pronunciará formalmente por meio da Advocacia-Geral do Estado (AGE) nos autos do processo.
O relator do caso, Wagner Wilson Ferreira, refutou o argumento apresentado pelo governo estadual, que alegava a existência de vício de origem no juiz natural do processo. Segundo ele, o TCE-MG atuou dentro de suas competências constitucionais ao identificar irregularidades orçamentárias e financeiras relacionadas ao programa. Ferreira destacou que a Corte de Contas tem o dever de realizar o controle externo das contas públicas e que a análise do programa de escolas cívico-militares estava dentro de suas atribuições.
Embora o governo federal, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tenha revogado o programa nacional de escolas cívico-militares, Minas Gerais optou por manter uma versão própria. Esse modelo, que se distingue das escolas militares sob gestão das Forças Armadas, é caracterizado por uma administração compartilhada entre as secretarias de Educação e as forças de segurança, como a Polícia Militar.
No que diz respeito ao currículo, as escolas cívico-militares seguem o padrão das instituições de ensino civil, mas com uma ênfase maior em disciplina e na participação de militares da reserva nas atividades escolares. Essa abordagem visa promover valores como a hierarquia e a disciplina entre os alunos, em um contexto educacional que busca integrar a formação acadêmica com aspectos da formação cívica.
A decisão do TJMG representa um desdobramento importante no debate sobre a educação pública em Minas Gerais e a implementação de modelos educacionais que envolvem a presença de instituições militares. O impacto dessa medida sobre as escolas e os alunos que nelas estudam ainda será avaliado, e a resposta do governo estadual poderá trazer novos desdobramentos para a situação.
Mais informações sobre o assunto devem ser divulgadas em breve, à medida que o processo avança e as autoridades se manifestam sobre os próximos passos a serem tomados em relação ao programa de escolas cívico-militares no estado.








