A deputada federal Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, anunciou nesta quinta-feira (9) que acionou o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério dos Direitos Humanos para que acompanhem as investigações de um grupo suspeito de produzir e comercializar vídeos de tortura contra bebês, crianças e animais pela internet. Hilton destacou que a atuação da organização criminosa pode não se restringir ao Rio Grande do Sul, onde a Polícia Federal já realizou uma operação que resultou na prisão de nove pessoas ligadas ao caso.
Entre os detidos, está Tiago Ximendes, identificado por Hilton como membro do Partido Liberal (PL), pastor evangélico e ex-coordenador de um posto de atendimento médico da Secretaria de Saúde de Bagé, no Rio Grande do Sul. A deputada também mencionou que entre os demais investigados há dois militares e indivíduos que mantinham relações diretas com as vítimas. Um dos suspeitos seria pai de um dos bebês que aparecem nos vídeos sob investigação.
Hilton enfatizou que, embora a Polícia Federal já tenha realizado prisões, é necessário um aprofundamento das investigações. A parlamentar argumentou que, devido à natureza da comercialização do material, que ocorria pela plataforma Telegram, é difícil acreditar que a atuação do grupo se limitasse ao estado gaúcho. “Como o material era comercializado na internet, via Telegram, é difícil acreditar que a atuação desse grupo era restrita ao Rio Grande do Sul”, afirmou em suas declarações.
Em resposta a essa situação, Erika Hilton informou que apresentou uma representação ao MPF para que as investigações sejam estendidas a outros estados, incluindo São Paulo. A deputada ressaltou a importância de que o Ministério dos Direitos Humanos também seja acionado para garantir o atendimento necessário às vítimas. “Estou acionando o Ministério de Direitos Humanos para que as vítimas recebam todo o suporte necessário”, disse.
A parlamentar destacou que a responsabilização criminal dos envolvidos deve ser acompanhada por ações de proteção às vítimas, especialmente às crianças. “Prender e investigar os culpados é essencial. Mas também é essencial que bebês e crianças vítimas de verdadeiras sessões de tortura, praticadas inclusive pela própria família, tenham todo o apoio do Estado”, defendeu.
A Polícia Federal já está investigando o caso e cumpriu mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, visando suspeitos de integrar o esquema de produção e comercialização dos vídeos. Até o momento, as autoridades não confirmaram oficialmente a existência de ramificações da organização em outros estados, uma possibilidade que agora é defendida pela deputada em sua representação ao MPF. A gravidade das acusações e o envolvimento de indivíduos com diferentes perfis, incluindo um pastor e militares, trazem à tona a necessidade de uma resposta efetiva do Estado para proteger as vítimas e responsabilizar os culpados.








