Um estudo realizado na Malásia indica que o cheiro de chocolate meio amargo, especialmente aquele com altas concentrações de cacau, pode melhorar o desempenho durante exercícios físicos e aumentar a sensação de saciedade. A pesquisa foi publicada na revista científica Frontiers in Physiology em 9 de julho de 2023 e envolveu 23 homens com idades entre 20 e 25 anos.
Os participantes foram divididos em grupos que inalaram diferentes aromas durante os treinos. Um grupo teve contato com o aroma de chocolate meio amargo, com 90% de cacau, enquanto outro grupo sentiu o cheiro de chocolate ao leite, com 60% de cacau, além de um grupo controle que recebeu apenas água. Os resultados mostraram que aqueles que inalaram o aroma do chocolate amargo apresentaram um desempenho significativamente superior nas atividades físicas, realizando cerca de 18 repetições a mais nas extensões de perna em comparação às 9 repetições adicionais do grupo que sentiu o aroma de chocolate ao leite.
O autor sênior do estudo, Mohamed Nashrudin bin Naharudin, professor assistente da Faculdade de Ciências do Esporte e do Exercício da Universidade da Malásia, ressaltou a importância dos achados. “Inalar o aroma de chocolate amargo não apenas melhorou o desempenho dos participantes, mas também aumentou a saciedade e reduziu a vontade de comer em comparação ao grupo controle”, afirmou.
A pesquisa foi dividida em duas partes principais: uma focada na análise do desempenho durante os treinos de membros inferiores e outra que avaliou os níveis de fome e saciedade. Durante as sessões de treino, os pesquisadores monitoraram o impacto do aroma do chocolate nas sensações de saciedade e no desejo de comer. Os resultados indicaram que os participantes expostos ao aroma de chocolate amargo relataram maior saciedade e uma diminuição no desejo de consumir alimentos.
Nashrudin destacou que a relação entre o olfato e as redes cerebrais ligadas ao apetite e às emoções é bem documentada, mas a interação entre olfato, apetite e desempenho físico ainda não havia sido explorada de forma sistemática em estudos anteriores. “Este estudo é um passo significativo para entender melhor como os sentidos podem influenciar a performance física e os hábitos alimentares”, concluiu.
Apesar das descobertas promissoras, os pesquisadores alertaram que o estudo possui limitações. Não foram medidos hormônios ou vias neurais que poderiam fornecer uma compreensão mais profunda dos mecanismos envolvidos. Além disso, as variações na intensidade do odor entre as amostras de chocolate e a natureza inodora da água utilizada como controle indicam que mais pesquisas são necessárias para validar os resultados obtidos.
Os resultados deste estudo abrem novas perspectivas para a utilização de aromas na otimização de treinos e na gestão da saciedade, mas ressaltam a importância de investigações adicionais para explorar as complexas interações entre olfato, apetite e desempenho físico.









