A Polícia Federal (PF) iniciou nesta quinta-feira (9) a 10ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga indícios de uma suposta coordenação em redes sociais com o objetivo de desestabilizar a credibilidade do Banco Central (BC) no Brasil. Entre os alvos da operação está Thiago Miranda, proprietário da agência Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi, e sócio do Portal LeoDias, que se dedica a notícias sobre celebridades e entretenimento.
Thiago Miranda é mencionado com frequência nas conversas obtidas a partir do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Além de sua função como publicitário, ele também era responsável pela seleção de influenciadores contratados para realizar ataques direcionados ao Banco Central e a jornalistas. A empresa de Miranda, que atende um público de alto poder aquisitivo, já prestou serviços para mais de 200 marcas renomadas, como Gucci, Balenciaga, Prada e XP Investimentos. No site da agência, destaca-se a especialização em “construção de reputação” e “gerenciamento de crise”.
Conforme apurado pela PF, Thiago Miranda tornou-se um intermediário entre Vorcaro e a ação dos influenciadores após a liquidação do Banco Master, de propriedade do ex-banqueiro. As investigações revelaram que Miranda tentou influenciar jornalistas que Vorcaro acusava de afetar negativamente sua imagem. Na última semana, a PF encontrou mensagens em que Vorcaro pedia a Miranda que coletasse informações sobre a jornalista Malu Gaspar, colunista d’O Globo, com a intenção de impedir que ela publicasse matérias sobre o Banco Master. Em uma troca de mensagens, Vorcaro sugere que seria necessário “encontrar algo dessa mulher no pessoal”, ao que Miranda responde que não conseguiu localizar nada que pudesse ser utilizado contra ela.
Além disso, Thiago Miranda foi o responsável por intermediar conversas entre o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro. O senador afirmou que o relacionamento com Vorcaro era estritamente profissional e que as mensagens trocadas entre eles diziam respeito à cobrança de R$ 62 milhões em investimentos para o filme “Dark Horse”, que retrata a vida de Jair Bolsonaro.
De acordo com a investigação da PF, Miranda é um dos principais envolvidos no chamado “Projeto DV”, que tem as iniciais de Daniel Vorcaro, e que visa defender o Banco Master. Através de sua agência, ele foi responsável por identificar influenciadores e atuou em parceria com André Salvador, da empresa UNLTD, para coordenar ataques online ao Banco Central, utilizando perfis com grande número de seguidores.
Em depoimento à PF, Thiago Miranda admitiu que era responsável pela contratação dos influenciadores e que apresentou um plano de ação a Vorcaro no final do ano passado. Ele descreveu o serviço como uma “gestão de crise”, com contratos que podiam chegar a R$ 8 milhões. A PF montou uma linha do tempo que identificou pelo menos 40 perfis que podem ter sido contratados no “Projeto DV” entre 9 de dezembro do ano passado e 6 de janeiro deste ano. Os conteúdos gerados, em sua maioria, apresentavam um discurso uniforme, alegando que “pessoas comuns seriam prejudicadas com o ‘desmoronamento’ do Master”, que havia “indícios de precipitação na liquidação do Master” pelo Banco Central e que “o banco foi liquidado em um tempo considerado incomum”. Além do Banco Master, Renato Gomer, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, também foi alvo dos ataques.









