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Home Saúde

Diagnóstico de trombofilia revela causa de abortos em mulher de Santa Catarina

12/07/2026
Em Saúde
Tempo de leitura:3 minutos de leitura
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A operadora de central de rastreamento veicular Rayssa Pereira, de 24 anos, moradora de Sombrio, Santa Catarina, enfrentou uma trajetória dolorosa em busca da maternidade. Aos 19 anos, Rayssa engravidou pela primeira vez, mas a alegria inicial foi rapidamente substituída pela tristeza ao descobrir, durante um ultrassom morfológico de 16 semanas, que o feto havia parado de se desenvolver com apenas oito semanas de gestação. Como o aborto foi retido, sem sangramentos, ela precisou passar por uma curetagem de urgência devido ao risco de infecção. A biópsia indicou uma má formação congênita, mas não foram realizadas outras investigações.

Rayssa recorda que, após essa primeira perda, questionou os médicos sobre o que poderia ter ocorrido, mas sempre recebia a resposta de que era comum perder a primeira gestação. Nos anos seguintes, ela enfrentou mais dois abortos espontâneos, ambos silenciosos, com o desenvolvimento embrionário interrompido nas primeiras semanas. Essas experiências deixaram marcas emocionais profundas, levando a operadora a desenvolver depressão, tentar suicídio e buscar acompanhamento psicológico, além de utilizar ansiolíticos. “Eu me sentia totalmente seca e infértil. Pensava por que eu não conseguia gerar um filho como tantas outras mulheres”, desabafa.

A resposta para seus problemas de fertilidade só veio após uma seguidora nas redes sociais sugerir a realização de exames, após relatar ter vivido situação semelhante. O exame revelou níveis elevados de anticardiolipina IgM, com um resultado de 47, sendo que o valor de referência é de até 20. Assim, em 2024, Rayssa foi diagnosticada com trombofilia, quatro anos após a primeira perda e seis meses após a terceira.

A ginecologista e obstetra Claudiane Garcia de Arruda, membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), explica que a trombofilia é uma condição que aumenta a tendência à formação de coágulos sanguíneos. A presença de anticorpos anticardiolipina está frequentemente associada à síndrome antifosfolípide (SAF), que pode elevar o risco de tromboses e complicações durante a gestação. Segundo a especialista, a trombofilia pode ser silenciosa por muitos anos e, em mulheres em idade reprodutiva, um sinal de alerta é a ocorrência de abortos de repetição, entre outras complicações.

Durante a gestação, as mulheres com trombofilia apresentam um risco de tromboembolismo venoso quatro a cinco vezes maior do que aquelas que não estão grávidas. Após o diagnóstico, Rayssa iniciou tratamento com ácido acetilsalicílico (AAS) antes de engravidar novamente. A nova gestação trouxe desafios, pois ela utilizou enoxaparina durante toda a gravidez e por 40 dias após o parto. Sua primeira filha, Hadassa, apresentou restrição de crescimento fetal e Rayssa desenvolveu pré-eclâmpsia, resultando em um parto prematuro com 31 semanas. A bebê nasceu com apenas um quilo e 38 centímetros, passando 36 dias na UTI neonatal até receber alta ao atingir dois quilos. Atualmente, Hadassa, com 1 ano e 4 meses, apresenta desenvolvimento compatível com a prematuridade.

A obstetra Claudiane ressalta que o exame para anticorpos anticardiolipina não faz parte do rastreamento de rotina, sendo indicado em casos de abortos espontâneos repetidos ou outras complicações gestacionais. Um resultado positivo não garante que a mulher desenvolverá trombose ou enfrentará complicações, pois a avaliação leva em conta o histórico clínico e outros fatores de risco.

Embora a trombofilia relacionada aos anticorpos anticardiolipina não tenha cura, o tratamento adequado pode reduzir o risco de tromboses e aumentar as chances de uma gestação bem-sucedida. O acompanhamento é geralmente multidisciplinar, monitorando a saúde da mãe, do bebê e da placenta durante toda a gestação.

Rayssa compartilha sua experiência como um alerta para outras mulheres. “Não espere passar por várias perdas para investigar. Busque ajuda, converse com seu médico e não negligencie os sinais. Eu sei o tamanho dessa dor, mas também sei que, com diagnóstico e tratamento, é possível realizar o sonho de ser mãe”, conclui.

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