A cerveja sem álcool tem se tornado uma opção popular entre aqueles que buscam reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, mantendo o sabor característico da bebida. Disponível em bares, supermercados e eventos esportivos, a cerveja zero gera questionamentos sobre seu processo de fabricação e os potenciais benefícios à saúde.
Embora a cerveja sem álcool não contenha álcool ou apresente apenas vestígios dentro dos limites estabelecidos pela legislação, isso não implica que a bebida seja necessariamente saudável. Especialistas afirmam que as técnicas de produção impactam diretamente no sabor, aroma e composição nutricional do produto.
A fabricação da cerveja zero pode ser realizada por meio de diferentes métodos tecnológicos. De acordo com Wagner José Pederzoli, membro do Comitê de Relações Institucionais e Governamentais do Conselho Federal de Química (CRIG/CFQ) e presidente do Conselho Regional de Química da 2ª Região (MG), o método mais tradicional é a destilação a vácuo. Esse processo consiste em aquecer a bebida já fermentada sob baixa pressão, o que reduz o ponto de ebulição do álcool e permite que ele evapore em temperatura ambiente.
Além da destilação a vácuo, a indústria também utiliza técnicas de filtração por membranas e leveduras especiais que produzem pouco ou nenhum álcool durante a fermentação. Cada uma dessas tecnologias apresenta suas vantagens e desafios, especialmente no que se refere ao sabor e ao teor de açúcares. Pederzoli destaca que é um equívoco afirmar que as cervejas sem álcool não têm gosto. As inovações tecnológicas atuais possibilitam a preservação e reintrodução de compostos aromáticos, fazendo com que o perfil sensorial se aproxime bastante das versões alcoólicas.
No processo de remoção do álcool, algumas moléculas responsáveis pelo aroma podem ser eliminadas. Para mitigar essa perda, muitas cervejarias recuperam esses compostos e os reincorporam ao produto final.
Em termos de saúde, a principal vantagem da cerveja zero é a eliminação dos efeitos adversos do álcool, que incluem sobrecarga no fígado, desidratação e impactos negativos no sono, coordenação motora e desempenho cognitivo. A nutricionista Taynara Abreu, do Hospital Mantevida em Brasília, ressalta que a bebida é uma alternativa adequada para quem deseja reduzir o consumo de álcool, precisa dirigir, utiliza medicamentos incompatíveis com álcool ou simplesmente aprecia o sabor da cerveja.
Taynara enfatiza que, embora a cerveja zero possa ser incluída em uma dieta equilibrada, não deve ser confundida com uma bebida funcional ou consumida sem moderação. Ela observa que, por não conter álcool, essa bebida geralmente apresenta menos calorias em comparação à cerveja convencional. Contudo, isso não garante que tenha baixo teor de carboidratos ou açúcar, uma vez que esses valores podem variar conforme a marca e o método de fabricação.
Apesar das vantagens em relação à versão alcoólica, a cerveja zero requer atenção especial. Pessoas com diabetes devem monitorar a quantidade de carboidratos e açúcares indicados no rótulo. Aqueles que possuem doença celíaca devem verificar a presença de glúten, frequentemente derivado da cevada. Indivíduos com problemas renais ou restrições de sódio também devem consultar a composição nutricional antes de consumir a bebida. Além disso, algumas cervejas podem conter pequenas quantidades residuais de álcool, o que pode ser inadequado para pessoas em tratamento contra dependência ou em situações específicas orientadas por profissionais de saúde.
Por fim, embora a cerveja zero mantenha compostos antioxidantes, como polifenóis e isoxanthohumol, que estão presentes na cerveja tradicional, os especialistas afirmam que isso não a torna um alimento promotor de saúde. O consumo consciente e a moderação permanecem essenciais para sua inclusão na rotina alimentar.







