O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) publicou um vídeo dirigido aos caminhoneiros, onde expressa sua preocupação com a demora na votação da medida provisória que estabelece o piso mínimo do frete rodoviário, conhecida como MP do Frete. Segundo Trovão, o impasse entre o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está impedindo a análise da proposta, que deve ser votada até a próxima quinta-feira, dia 16, para não caducar.
O parlamentar, que tem se mobilizado junto a representantes da categoria para que a votação ocorra o mais rápido possível, destacou que sua equipe tem trabalhado para que a MP seja apreciada sem novas alterações. “Já mexemos muito nessa MP. Deixamos ela de maneira viável”, afirmou o deputado em sua publicação.
Embora não tenha detalhado os motivos da divergência entre Alcolumbre e Lula, Zé Trovão classificou como um “absurdo” o fato de que a medida permaneça sem votação devido a conflitos políticos. “Agora estão brigados, estão de mal, e o que Alcolumbre está fazendo é algo que é um absurdo: deixando de beneficiar milhares de caminhoneiros, deixando de ajudar milhares de transportadores, milhares de pessoas que precisam trabalhar e que precisam ter os seus direitos assegurados por uma rixa”, declarou.
O deputado ressaltou a urgência da votação da MP para evitar que a mobilização dos caminhoneiros se intensifique, o que poderia gerar novas paralisações e impactos na logística do país. Apesar de estar afastado das atividades legislativas para se recuperar de uma cirurgia na garganta, Trovão gravou o vídeo para demonstrar seu apoio à categoria, que representa uma de suas principais bases eleitorais.
O discurso de Zé Trovão ecoa as demandas de Wallace Landim, conhecido como Chorão, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), que também tem pressionado pela votação da medida. A MP do Frete busca garantir maior proteção aos trabalhadores do transporte rodoviário de cargas, especialmente aos motoristas autônomos, e um dos principais pontos da proposta é reforçar o cumprimento do piso mínimo do frete.
A proposta inclui a obrigatoriedade do registro das operações de transporte pelas empresas contratantes, e prevê punições para aqueles que não respeitarem a tabela mínima estabelecida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Essa medida é especialmente relevante em um contexto de alta dos preços do diesel, que tem sido afetado pelas oscilações do mercado internacional de petróleo. O Brasil, que ainda importa parte do combustível que consome, enfrenta um impacto direto nos custos do frete devido ao aumento do preço do diesel, que representa cerca de 35% dos custos totais do transporte rodoviário de cargas.
Diante desse cenário, a votação da MP do Frete se torna uma questão crucial não apenas para os caminhoneiros, mas também para a cadeia logística do país, que depende da estabilidade e da segurança dos serviços de transporte.








