Ciro Ferreira Gomes, nascido em 6 de novembro de 1957 em Pindamonhangaba, São Paulo, é um político com uma longa trajetória na política cearense. Desde a infância, quando se mudou para Sobral, no Ceará, Ciro se destacou em sua formação acadêmica, graduando-se em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1979. Sua carreira acadêmica inclui a atuação como professor de Direito Tributário e Constitucional em instituições de ensino superior no estado.
Ciro Gomes vem de uma família com forte tradição política. Seu pai e seu irmão Ivo foram prefeitos de Sobral, enquanto seu irmão Cid Gomes, atualmente senador com mandato até 2027, já ocupou o cargo de governador do Ceará por dois mandatos. Cid, que ainda não confirmou oficialmente sua candidatura à reeleição, é uma figura importante na base governista.
Atualmente, Ciro Gomes é pré-candidato ao governo do Ceará pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) nas eleições de 2026. Essa será a segunda vez que ele disputa o cargo, tendo governado o estado de 1991 a 1994. A oficialização de sua candidatura ocorrerá em convenção partidária prevista para agosto.
A trajetória política de Ciro começou em 1982, quando foi eleito deputado estadual pelo Partido Democrático Social (PDS), partido de seu pai. Ele atuou na Assembleia Legislativa do Ceará por dois mandatos, tornando-se líder do governo de Tasso Jereissati (PSDB) em sua segunda legislatura. Em 1988, Ciro foi eleito prefeito de Fortaleza, onde implementou uma reforma fiscal que melhorou as finanças da capital em apenas 15 meses de gestão.
Em 1990, filiado ao PSDB, Ciro Gomes foi eleito governador do Ceará, conquistando 56% dos votos. Sua administração, que começou em 1991, foi marcada por altos índices de aprovação, com uma pesquisa do Datafolha em 1992 indicando 64% de aprovação. Durante seu governo, Ciro focou em saúde, educação e infraestrutura hídrica, destacando-se com o Programa Viva Criança, que reduziu a mortalidade infantil em um terço. Ele também recebeu o Prêmio Maurice Paté do Unicef em 1993, sendo o primeiro governante latino-americano a ser agraciado.
Diante da severa seca que afetava o abastecimento de Fortaleza, Ciro coordenou a construção do Canal do Trabalhador, uma obra de 113 quilômetros que conectou o rio Jaguaribe à Região Metropolitana de Fortaleza, evitando uma crise de abastecimento de água.
Em setembro de 1994, Ciro foi convidado pelo presidente Itamar Franco para assumir o Ministério da Fazenda, onde ficou até janeiro de 1995, em um momento crucial da implementação do Plano Real. Após deixar o ministério, ele foi pesquisador visitante na Escola de Direito da Universidade de Harvard entre 1995 e 1996, período em que colaborou com o professor Roberto Mangabeira Unger em temas de desenvolvimento econômico.
Ciro Gomes concorreu à presidência do Brasil em 1998 e 2002, obtendo o terceiro e quarto lugares, respectivamente. Ele apoiou Lula no segundo turno em 2002 e integrou o primeiro governo petista como ministro da Integração Nacional de 2003 a 2006, onde planejou a transposição do rio São Francisco. Em 2006, foi eleito deputado federal pelo PSB, recebendo a maior votação proporcional do país naquele ano.
Na eleição presidencial de 2018, Ciro ficou em terceiro lugar com 12,47% dos votos, e em 2022, obteve apenas 3,05%. Sua falta de apoio a um candidato no segundo turno gerou críticas entre os eleitores de esquerda. Em outubro de 2025, Ciro deixou o PDT e retornou ao PSDB, sinalizando sua intenção de concorrer novamente ao governo do Ceará, que é administrado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2007.
Em 16 de maio de 2026, Ciro formalizou sua pré-candidatura em Fortaleza, destacando sua aproximação com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e criticando o grupo político do PT no Ceará. O ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, do União Brasil, é cogitado para ser seu vice. No entanto, essa aliança gerou controvérsias, incluindo críticas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que considerou a aliança uma traição.
De acordo com uma pesquisa do Datafolha divulgada em 23 de março de 2026, Ciro Gomes lidera as intenções de voto para o governo do Ceará, com 47%, enquanto o atual governador Elmano de Freitas (PT) aparece em segundo lugar com 32%. A pesquisa foi realizada entre 16 e 18 de março e ouviu 816 eleitores em 35 municípios, com margem de erro de 3 pontos percentuais.





