Em um marco histórico para a medicina espacial, astronautas conseguiram realizar exames de raio-X em órbita com qualidade suficiente para possibilitar diagnósticos precisos. Este avanço não apenas representa uma nova forma de proteger os viajantes no espaço, mas também pode ser crucial para identificar danos em equipamentos da nave.
Embora a realização de imagens de raio-X em um ambiente que simula a microgravidade já tenha sido tentada há quatro anos, a necessidade de testes práticos em órbita era evidente. Essa verificação ocorreu durante a missão espacial Fram2, organizada pela SpaceX, quando os tripulantes utilizaram um gerador de raios-X digital, portátil e sem fio, para obter radiografias do corpo humano em condições espaciais.
A equipe de pesquisa, composta por cientistas dos Estados Unidos e Canadá, incluindo especialistas da Universidade de Stanford, na Califórnia, publicou os dados obtidos no estudo na revista Radiology. Em declaração ao portal ScienceAlert, a coautora do estudo, Sheyna Gifford, destacou a relevância do feito, afirmando que “o fato de isso ter acontecido mudou o futuro da medicina espacial e das missões espaciais”.
Para a realização de uma radiografia, é necessário que uma fonte de raios-X seja direcionada ao corpo, com um detector posicionado no lado oposto. Além disso, a imobilidade da região examinada é crucial para garantir a qualidade da imagem. O uso dessa tecnologia no espaço tornou-se viável com o desenvolvimento de dispositivos menores e portáteis, que são alimentados por bateria, permitindo sua utilização em órbita.
Durante a missão Fram2, os astronautas realizaram radiografias antes e durante o voo, obtendo imagens de diferentes partes do corpo e até de um relógio. Todos os registros foram avaliados por radiologistas independentes, que confirmaram a adequação das imagens para diagnósticos. As radiografias de áreas como mãos e braços, que são mais fáceis de manter imóveis, apresentaram qualidade superior. Por outro lado, as imagens do tórax, abdômen e pelve, que exigem maior dificuldade para imobilização, tiveram qualidade ligeiramente inferior.
Além de seu uso em exames médicos, a tecnologia de raio-X pode ser aplicada para inspecionar a estrutura da nave, ampliando suas funcionalidades nas missões espaciais. Sheyna Gifford ressalta que a aplicação atual de raios-X espectrais na Terra começou com testes não destrutivos, sendo amplamente utilizada na segurança aeroportuária. Embora esta equipe tenha sido a primeira a realizar a radiografia espectral no espaço, a utilização dessa tecnologia traz ferramentas poderosas que vão além da enfermaria.
Os pesquisadores reconhecem que ainda existem limitações para a adoção rotineira do raio-X no espaço. No entanto, os resultados positivos obtidos até agora servirão como base para o aprimoramento contínuo da tecnologia, abrindo novas possibilidades para a saúde e segurança dos astronautas em futuras missões.









