O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou como “injustificáveis” as tarifas de 25% impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em declaração feita nesta quinta-feira (16) durante uma coletiva no Palácio do Itamaraty. Vieira destacou que as medidas adotadas pelo governo americano são unilaterais e não têm respaldo em justificativas válidas.
Desde o anúncio inicial da tarifa, Brasil e Estados Unidos têm se engajado em negociações, com mais de 30 reuniões realizadas desde março para abordar a questão. O chanceler apresentou uma linha do tempo detalhando as tratativas entre os dois países e reafirmou que as conversas continuam em andamento. Além disso, ele denunciou ameaças de interferência por parte dos EUA no Poder Judiciário brasileiro, afirmando que os norte-americanos condicionaram a suspensão da tarifa de 50% ao cancelamento imediato, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Vieira também criticou declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que, segundo ele, foram “inaceitáveis, ofensivas e grosseiras contra o povo brasileiro”. O chanceler enfatizou que tais manifestações representam um ataque à figura do chefe de Estado de um país amigo.
Ao longo do dia, o governo brasileiro organizou diversas reuniões para discutir a imposição da tarifa extra. Às 16h, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) convocou uma coletiva de imprensa com o intuito de esclarecer a nova medida dos EUA e explorar a possibilidade de reabertura de canais de negociação. O ministério considera a imposição da tarifa como um fator que eleva a tensão nas relações comerciais entre os dois países.
Antes dessa coletiva, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio, Márcio Elias Rosa, e o chanceler Mauro Vieira se reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto para discutir a situação, que foi considerada um “marco lastimável” nas relações bilaterais.
Na quarta-feira (15), o presidente dos EUA, Donald Trump, oficializou a imposição da tarifa adicional de 25% sobre uma variedade de produtos brasileiros, com a medida prevista para entrar em vigor em 22 de julho. A sanção é baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite a Washington retaliar práticas comerciais de outros países que sejam consideradas injustas ou discriminatórias.
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) argumentou que a investigação realizada constatou que as políticas brasileiras em seis áreas têm restringido o comércio de “agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores” americanos. As áreas incluem comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol, além de questões relacionadas ao desmatamento ilegal.
Entre os produtos afetados pela nova tarifa estão o etanol, o aço, açúcar orgânico, máquinas agrícolas, papel e vestuário. No entanto, o USTR também divulgou uma lista de itens importantes para a exportação brasileira que estarão isentos da nova cobrança, como carne bovina, café, petróleo e laranjas. A tarifa será aplicada às mercadorias importadas ou retiradas de armazéns para consumo a partir da data de vigência estabelecida.








