Uma parte da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preocupada com possíveis retaliações do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, caso o Brasil decida adotar medidas de reciprocidade em resposta às tarifas de 25% impostas por Washington. Auxiliares do presidente Lula indicam que a Casa Branca pode intensificar suas sanções se o Brasil optar por retaliar.
Durante a recente conferência que anunciou a tarifa, bem como na decisão final do USTR (Representante Comercial dos EUA), foram percebidos sinais de que os Estados Unidos estão dispostos a aumentar a pressão sobre o Brasil. Um trecho da decisão do USTR sugere que qualquer ação do Brasil que eleve custos ou restrições ao comércio americano, como o aumento de tarifas sobre produtos dos EUA, poderá ser interpretada como uma indicação de que as medidas adotadas pelos EUA não são suficientes para resolver as preocupações com práticas comerciais que consideram desleais.
De acordo com fontes do governo brasileiro, o processo de reciprocidade que está sendo avaliado não se limitará apenas a aspectos técnicos relacionados às tarifas, mas também levará em conta as implicações políticas de uma possível escalada nas medidas. Um interlocutor do governo destacou que, embora os sinais dos Estados Unidos sejam importantes, a imprevisibilidade do presidente Donald Trump também deve ser considerada.
Após a decisão do USTR, o Palácio do Planalto emitiu uma nota informando que iniciará imediatamente os procedimentos necessários para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade. O Itamaraty deverá formalmente notificar a Camex (Câmara de Comércio Exterior), que abrirá um processo para verificar se as alíquotas impostas por Washington se enquadram nos critérios legais para uma possível retaliação.
No ano anterior, após a implementação de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros (10% para o restante do mundo e 40% especificamente contra o Brasil), a Camex também havia iniciado um procedimento semelhante. Contudo, a Lei de Reciprocidade Econômica exige um objeto de análise bem definido, e o primeiro conjunto de tarifas foi posteriormente anulado pela Suprema Corte dos Estados Unidos, resultando na extinção do processo.
A estratégia atual do governo brasileiro é repetir o procedimento anterior, embora isso não signifique necessariamente que o país adotará retaliações diretas contra produtos ou serviços americanos. A intenção é manter uma “carta na manga” que poderá ser utilizada se necessário. A complexidade das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e a possibilidade de uma resposta do governo americano tornam a situação delicada e requerem uma análise cuidadosa das ações a serem tomadas.








