A Justiça de Minas Gerais decidiu converter a prisão do sargento reformado da Marinha, de 34 anos, em prisão preventiva. Ele é suspeito de assassinar o vizinho Carlos Alberto, de 61 anos, no bairro Saraiva, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O juiz Leonardo Cohen Prado autorizou a transferência do militar para o presídio da Marinha, localizado na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, devido à falta de instalações adequadas para a custódia de militares no estado.
Durante a audiência de custódia realizada no dia 15 de julho, o Ministério Público solicitou a prisão preventiva do sargento, argumentando que sua libertação representaria um risco à ordem pública. O magistrado ressaltou a gravidade dos atos cometidos pelo investigado, que já possui dois registros anteriores de homicídios no Tribunal do Júri, evidenciando um potencial risco de reiteração delitiva.
Os homicídios anteriores ocorreram em 2020, na cidade de Contagem, quando o sargento atacou um pastor evangélico com uma espada, resultando na morte da vítima e em ferimentos a outra pessoa durante um surto psicótico. Esses casos foram encerrados em dezembro de 2022, após a extinção das medidas de segurança que haviam sido impostas ao militar.
A defesa do sargento pleiteou a abertura de um incidente de insanidade mental, alegando que ele é diagnosticado com esquizofrenia e síndrome de burnout, sendo dependente de medicação antipsicótica. Além disso, foi mencionado um histórico de interdição civil, movido por sua mãe em 2020 na 1ª Vara de Família de Betim, que foi aceito pelo juiz, com o apoio do Ministério Público, para avaliar a capacidade de discernimento do sargento no momento do crime.
O crime que levou à prisão do sargento ocorreu no dia 14 de julho. Ele mesmo acionou a polícia, alegando ter agido em legítima defesa após ser atacado pela vítima, que estaria armada com uma faca. Na ocasião, o militar entregou um revólver calibre .22 com numeração raspada. No entanto, essa versão foi questionada por imagens de câmeras de segurança, que foram obtidas por familiares de Carlos Alberto. As gravações mostram o momento em que o sargento se aproximou do carro da vítima, que estava saindo de casa, e disparou cerca de cinco tiros após uma breve luta corporal.
Carlos Alberto foi atingido por quatro disparos e, apesar de ter sido socorrido por vizinhos e levado ao Hospital Regional, não resistiu aos ferimentos. A investigação continua em andamento, enquanto o sargento aguarda a transferência para o Rio de Janeiro, onde permanecerá sob custódia militar.








