O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, anunciou sua participação na convenção nacional do PSD, agendada para o dia 26 de julho, na sede do partido localizada no bairro Bela Vista, em São Paulo. A confirmação de sua presença ocorre após uma recente conversa entre Tarcísio e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que, segundo informações de fontes consultadas, indica uma reaproximação entre ambos, após um período de tensões políticas.
O evento tem como objetivo oficializar a candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à presidência da República, com Kassab sendo indicado como candidato a vice na chapa. Apesar da confirmação de Tarcísio, a organização da convenção planeja que ele e Caiado participem em momentos distintos, evitando que os dois compartilhem o mesmo palco. Essa estratégia visa prevenir a associação entre os projetos políticos que cada um defende. Enquanto Caiado será lançado como candidato do PSD ao Palácio do Planalto, Tarcísio tem manifestado apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, do PL.
Além de Tarcísio, a convenção também contará com a presença dos pré-candidatos ao Senado que compõem a chapa do governador, incluindo o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, do PP, e o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado, do PL. A presença de figuras proeminentes na convenção reflete a importância do evento para as articulações políticas do PSD e a configuração do cenário eleitoral para 2026.
Nos últimos meses, a relação entre Tarcísio e Kassab foi marcada por desgastes públicos, principalmente em relação às estratégias eleitorais e às políticas defendidas por Kassab enquanto ocupava o cargo de secretário de Governo de Tarcísio. O principal ponto de conflito surgiu quando Tarcísio decidiu concorrer à reeleição em São Paulo, formando uma chapa com o vice Felício Ramuth, que atualmente está no MDB. Essa decisão coincidiu com o movimento do PSD em direção à candidatura presidencial de Caiado, criando um cenário de atrito entre as duas lideranças.
As divergências se intensificaram com declarações públicas de Kassab, que enfatizou a necessidade de Tarcísio manter uma relação de “lealdade, e não submissão” ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, houve desavenças sobre a composição da chapa paulista e o papel do PSD na base governamental. O desgaste culminou na saída de Kassab da Secretaria de Governo em março deste ano, um movimento que, segundo relatos, ocorreu sem prévio diálogo entre os dois.
Embora o PSD tenha decidido avançar com uma candidatura própria à presidência, a convenção também deve reafirmar a autonomia dos diretórios estaduais para estabelecer alianças conforme a realidade política local. Essa diretriz permitirá que as seções regionais do partido apoiem candidatos diferentes de Caiado na disputa presidencial, assegurando a preservação de acordos locais já estabelecidos pela legenda. A convenção, portanto, não apenas marcará o lançamento da candidatura de Caiado, mas também refletirá a complexidade das relações políticas dentro do PSD e as estratégias para as próximas eleições.







